A Alemanha vai exigir, a partir de sábado, testes de Covid-19 a todos os viajantes que regressem de regiões consideradas de risco para evitar impor quarentenas obrigatórias, disse hoje o ministro alemão da Saúde.

A decisão já havia sido anunciada na semana passada, mas ainda não tinha data para entrar em vigor.

“A partir de sábado, as pessoas que regressem de áreas de risco serão obrigadas a fazer um teste. Ou seja, quem regressar de uma área desse tipo deverá trazer um [teste com] resultado negativo com menos de 48 horas ou fazê-lo aqui”, explicou o ministro, Jens Spahn, em conferência de imprensa, realizada esta quinta-feira em Berlim.

Até agora, qualquer pessoa que regressasse de uma lista de zonas de risco, que inclui a maioria dos países fora da União Europeia, mas também três regiões espanholas (Aragão, Catalunha e Navarra) e, desde quarta-feira, a província belga de Antuérpia, era obrigada a passar por uma quarentena de 14 dias na Alemanha. “Estou muito ciente de que se trata de uma intromissão na liberdade do indivíduo, mas acho que é razoável. Liberdade nem sempre significa só liberdade, implica também responsabilidade”, disse Spahn.

Esses testes serão pagos pelo governo por “uma questão de solidariedade”, segundo o ministro.

A Alemanha, onde o ano letivo está a começar esta semana em algumas regiões, tem sido relativamente poupada pelo novo coronavírus, registando 9.175 mortes.

No entanto, as autoridades temem que o número de vítimas aumente rapidamente com a importação de novos casos trazidos por viajantes.

Segundo o Instituto de Saúde Robert Koch, foram registados hoje mais 1.045 novos casos do que na quarta-feira, o número mais alto desde maio.

A última vez que o país superou esta barreira foi a 7 de maio. Os valores recomeçaram a subir no final de mês de julho, com a Alemanha a registar, desde o início da pandemia de Covid-19, um total de 213.067 casos.

Nas últimas 24 horas, foram também registadas mais sete vítimas mortais, aumentando o total de 9.175.

A pandemia de Covid-19 já provocou mais de 701 mil mortos e infetou mais de 18,5 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.