A percentagem de população desempregada em outubro de 2020 (ainda com dados provisórios) continua 15% acima dos valores de outubro de 2019, mas caiu 4,7% em relação ao mês anterior (setembro). Nos últimos quatro meses, a percentagem de população empregada tem tido ligeiros aumentos, mas em outubro continuava 2,1% abaixo de igual período no ano anterior. Os dados foram revelados esta segunda-feira, pelo relatório de “Estimativas mensais de emprego e desemprego” do Instituto Nacional de Estatística (INE).

A taxa de desemprego situava-se, em outubro de 2020, nos 7,5%, mais baixa do que em setembro deste ano (7,9%), mas mais alta do que em outubro do ano anterior (6,5%). A taxa de desemprego entre jovens (23,9%) continua muito mais alta do que entre adultos (6,4%), mas ambas diminuíram em relação ao mês de setembro. Por sua vez, a taxa de inatividade situa-se nos 33,8%, mais 0,8% do que em outubro do ano anterior.

Segundo o relatório, os desempregados de setembro terão encontrado emprego ou transitado para a população inativa — ou seja, “deixaram de cumprir, pelo menos, um dos seguintes critérios: procura ativa de emprego; disponibilidade para começar a trabalhar na semana de referência ou nas duas semanas seguintes”.

O INE acrescenta ainda um outro indicador: a taxa de subutilização do trabalho, que “inclui a população desempregada, o subemprego de trabalhadores involuntariamente a tempo parcial, os inativos à procura de emprego mas não disponíveis para trabalhar e os inativos disponíveis mas que não procuraram emprego”. Também aqui a taxa em outubro (15%) é menor do que em setembro (15,4%) e nos meses anteriores, mas superior à de outubro de 2019 (12,5%).

“Relativamente à população inativa, observou-se um aumento de três mil no número de inativos à procura de emprego, uma manutenção no de inativos disponíveis, mas que não procuram e um aumento de 3,2 mil no de outros inativos (não procuram e não estão disponíveis)”, lê-se no relatório.

Os resultados do Inquérito ao Emprego do INE destacam, no entanto, os constrangimentos relacionados com a pandemia, nomeadamente, o facto de as pessoas desempregadas serem consideradas inativas, por não estarem ativamente à procura de emprego. São consideradas inativas “devido às restrições à mobilidade, à redução ou mesmo interrupção dos canais normais de informação sobre ofertas de trabalho em consequência do encerramento parcial ou mesmo total de uma proporção muito significativa de empresas”, sobretudo durante o estado de emergência, mas também porque não têm disponibilidade para começar a trabalhar por estarem infetados ou terem dependentes a cargo.

Pelo mesmo motivo, as “pessoas ausentes do trabalho por uma duração prevista superior a três meses e que, simultaneamente, auferiam um salário inferior a 50% do habitual” são, em termos estatísticos, consideradas desempregadas ou inativas, ainda que, oficialmente, se mantenham empregadas.

INE confirma queda de 5,7% do PIB no terceiro trimestre face a 2019

O Produto Interno Bruto (PIB) caiu 5,7% no terceiro trimestre em termos homólogos e recuperou 13,3% em cadeia, confirmou o Instituto Nacional de Estatística (INE) nas Contas Nacionais Trimestrais divulgadas esta segunda-feira.

“No terceiro trimestre de 2020, o PIB registou uma diminuição homóloga de 5,7% em volume, depois da contração de 16,4% observada no trimestre anterior. Esta evolução deveu-se em grande medida ao comportamento da procura interna, que registou um contributo significativamente menos negativo que no trimestre precedente (passando de -11,8 pontos percentuais no segundo trimestre para -4,0 pontos percentuais), refletindo sobretudo a recuperação expressiva do consumo privado e, em menor grau, do investimento e do consumo público”, refere o INE.

No mesmo sentido, o contributo da procura externa líquida no terceiro trimestre foi menos negativo que o registado no trimestre precedente (passando de -4,6 pontos percentuais para -1,6 pontos percentuais), verificando-se uma recuperação mais significativa das exportações de bens e serviços (passando de uma taxa de -39,4% para -15,2%) que a observada nas importações de bens e serviços (de -29,2% para -11,4%), devido sobretudo à evolução das exportações de bens”, acrescenta.

Já no que se refere à evolução em cadeia – o PIB aumentou 13,3% em termos reais face ao segundo trimestre, depois de ter diminuído 13,9% no trimestre precedente – o INE explica também este resultado “sobretudo pelo comportamento da procura interna, que registou um contributo positivo de 10,7 pontos percentuais para a variação em cadeia do PIB, quase simétrico do observado no segundo trimestre (-10,9 pontos percentuais)”.

“O contributo da procura externa líquida também passou a positivo (2,6 ponto percentuais), depois de ter sido muito negativo (-3,0 pontos percentuais) no trimestre precedente, verificando-se um crescimento acentuado das exportações de bens e serviços”, precisa.

Os números conhecidos esta segunda-feira seguem-se a duas estimativas rápidas anteriormente divulgadas pelo INE: A primeira, em 30 de outubro, apontava para uma queda de 5,8% do PIB em termos homólogos e uma recuperação de 13,2% em cadeia, e a segunda, de 13 de novembro, reviu a anterior em alta numa décima (para uma contração homóloga de 5,7% e recuperação em cadeia de 13,3%), sendo igual à divulgada esta segunda-feira.

Atualizado com dados do desemprego.