O presidente da Câmara de Vizela disse esta sexta-feira que já não vai apelar ao boicote às eleições presidenciais, depois de o ministro do Ambiente ter garantido que vai manter-se a qualidade do rio.

Em recentes declarações públicas, Vítor Hugo Salgado manifestara a intenção de apelar aos seus munícipes no sentido do boicote às eleições de 24 de janeiro se, até àquela data, não fosse anunciada uma solução para o problema da poluição do rio Vizela, o maior afluente do rio Ave.

O presidente da câmara explicou esta sexta-feira que esteve reunido com o ministro João Matos Fernandes para tratar da questão da poluição, que a autarquia tem denunciado, inclusive com recurso às vias judiciais. À Lusa, o autarca reconheceu que, desde o verão passado, quando a edilidade organizou manifestações populares alertando para o problema, a qualidade da água do rio que atravessa a cidade tem melhorado significativamente, “como há muito não se via”.

No auge da contestação, Vítor Hugo Salgado defendera que o principal foco de poluição daquele rio era uma estação de tratamento de águas residuais no concelho de Guimarães, situada alguns quilómetros a montante da cidade de Vizela, gerida pela empresa de capitais públicos Águas do Norte. Segundo o presidente da câmara, o ministro garantiu esta sexta-feira que aquela estação de tratamento de águas residuais vai continuar a trabalhar, no sentido de salvaguardar a boa qualidade do rio, como tem ocorrido recentemente. O autarca diz esperar que a situação atual possa, de facto, “ser definitiva”, significando que estaria resolvido “um problema que preocupa Vizela e os vizelenses há décadas”.

Também na reunião desta sexta-feira, realizada nas instalações da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), no Porto, o chefe do executivo municipal sensibilizou o ministro Pedro Matos Fernandes para a importância de ser garantido, no âmbito do envelope financeiro previsto para o Vale do Ave, um financiamento que dê suporte à construção de um percurso de cerca de oito quilómetros de passadiços e outras infraestruturas de lazer, ao longo das margens do rio Vizela e do ribeiro de Sá.

O autarca estima um investimento de 1,9 milhões de euros e disse acreditar que haverá da tutela e de Pedro Matos Fernandes vontade política para viabilizar aquele projeto tão importante para o concelho.