O ainda Presidente dos Estados Unidos da América, Donald Trump, fez esta terça-feira o seu discurso de despedida a partir da Casa Branca, que vai abandonar na manhã de quarta-feira, antes da tomada de posse de Joe Biden. Numa intervenção de 20 minutos, gravada previamente e difundida em vídeo e texto pelos canais oficiais da Casa Branca, Trump nunca se refere a Joe Biden pelo nome, embora deseje “sucesso” e “sorte” à nova administração — e deixe a promessa de que o movimento que começou em 2016 com a sua eleição “ainda só está no início“.

“Há quatro anos, lançámos um grande esforço nacional para reconstruir o nosso país, para renovar o seu espírito e para restaurar a lealdade deste governo aos seus cidadãos. Em suma, embarcámos numa missão de tornar a América grande outra vez — para todos os americanos“, diz Trump no início da mensagem. “No momento em que termino o meu mandato como 45.º Presidente dos EUA, apresento-me perante vós verdadeiramente orgulhoso pelo que alcançámos juntos. Fizemos aquilo que cá viemos fazer — e muito mais.”

Depois de um extenso agradecimento aos seus aliados, sobretudo à sua família, Trump fala da “honra indescritível” que representou para ele a Presidência e tornou a condenar o ataque ao Capitólio. “Todos os americanos ficaram horrorizados com o ataque ao nosso Capitólio. A violência política é um ataque a tudo o que acarinhamos enquanto americanos. Nunca pode ser tolerada“, disse Trump. “Agora, mais do que nunca, temos de nos unir em torno dos nossos valores comuns e elevar-nos acima do rancor partidário, forjando o nosso destino comum.”

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Na mensagem, Trump nunca se refere ao seu próprio papel como instigador da violência no Capitólio no dia 6 de janeiro. O edifício foi invadido e ocupado por uma multidão de apoiantes do Presidente uma hora depois de Trump os ter encorajado, num discurso a escassos metros do Capitólio, a lutar pelos resultados eleitorais. O Congresso preparava-se, naquele momento, para certificar os resultados da eleição de novembro, que deu a vitória a Joe Biden.

A maior parte do discurso de Trump foi usado para elencar os feitos da sua administração, com uma agenda focada na “América primeiro”, sem ser “de direita ou esquerda, Republicana ou Democrata, mas focada no bem da nação” — uma frase dita numa altura em que o Partido Republicano se tem procurado distanciar do homem que o transformou profundamente nos últimos quatro anos.

Entre os vários feitos que atribui ao seu governo, Trump reivindica particularmente os louros pelo desenvolvimento das vacinas contra a Covid-19. “Outra administração teria demorado três, quatro, cinco, talvez até dez anos a desenvolver uma vacina. Nós fizemo-lo em nove meses“, diz Trump. O Presidente dos EUA não se referiu, porém, a outras farmacêuticas noutros pontos do mundo que desenvolveram vacinas no mesmo período — por exemplo, a Universidade de Oxford e a britânica AstraZeneca.

Depois de se dizer orgulhoso por ter sido “o primeiro Presidente em décadas que não começou qualquer guerra nova”, Trump conclui uma lista de objetivos cumpridos salientando que a sua história na política americana não está terminada. “Agora, enquanto nos preparamos para entregar o poder a uma nova administração ao meio-dia de quarta-feira, quero que saibam que o movimento que começámos está apenas a começar. Nunca houve nada assim. A crença de que uma nação deve servir os seus cidadãos não vai desvanecer, vai tornar-se mais forte a cada dia.”

Esta quarta-feira, o Presidente eleito Joe Biden vai tomar posse numa cerimónia no Capitólio sem a presença da habitual multidão e com medidas de segurança reforçadas, devido ao ataque do início do mês. Donald Trump não vai estar presente no momento do juramento — mas o vice-presidente Mike Pence já assegurou que estará lá.