Símbolo do movimento — conhecido como “yé-yé” — da música pop francesa, Françoise Hardy, agora com 77 anos, pede que França lhe conceda o direito à morte medicamente assistida, perante o “sofrimento físico terrível” que anos de tratamentos oncológicos lhe têm causado.

O meu sofrimento físico já tem sido tão terrível que tenho medo que a morte me obrigue a passar por mais sofrimento físico“, disse Hardy, numa entrevista por email — dado que tem dificuldade em falar — à revista francesa Femme Actuelle. Em 2015, ano em que chegou a ser hospitalizada tendo ficado em coma induzido, a cantora francesa já tinha defendido a morte medicamente assistida e, numa entrevista em maio deste ano, ao Paris Match, considerava que França era “desumana” por não permitir o procedimento.

Os problemas de saúde de Hardy começaram há mais de dez anos. Primeiro, com um linfoma, que reapareceu pouco tempo depois. Mais recentemente, foi devido a um cancro num ouvido que se submeteu a um tratamento inovador de radioterapia. No entanto, escreve o The Guardian, os anos de tratamentos de radiação e imunoterapia têm-lhe provocado uma dor física intensa e deixado com dificuldade em engolir.

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“No que me diz respeito, gostaria de ter essa possibilidade [da eutanásia], mas temo que a minha pequena notoriedade impeça qualquer profissional de assumir esse risco”, afirmou, à Femme Actuelle, pedindo aos médicos que concedam a possibilidade de “abreviar o sofrimento desnecessário de uma doença incurável a partir do momento em que se torna insuportável”.

Na mesma entrevista, a “namorada de França”, cujo estilo — a franja, a minissaia e as camisolas de gola alta — foi densamente replicado, revela ainda que a mãe, que sofreu de doença de Charcot-Marie-Tooth (que afeta os nervos que controlam o movimento dos músculos), foi eutanasiada “quando já não conseguia aguentar mais esta doença horrível e incurável”. A cantora conta que é a favor da eutanásia desde os 15 anos, e que o sofrimento da mãe “apenas me confirmou a necessidade de legalizar [a eutanásia], ou seja, de conceder o direito de morrer com dignidade, o que, naturalmente, exige graves formalidades“.

Hardy lançou o primeiro single, Tous les garçons et les filles (“Todos os rapazes e raparigas”, na tradução), em 1962, que vendeu mais de dois milhões de discos em poucas semanas e a catapultou como uma das representantes do estilo de pop “yé-yé”, que também teve expressão em Portugal, nos anos 60 e 70.