Os incidentes do passado sábado com Eduardo Ferro Rodrigues, junto à Assembleia da República, terão sido a gota que faltava: vários políticos, nomeadamente aqueles que têm sido alvos preferenciais dos grupos de negacionistas da Covid-19 — anti-vacinas e contra as medidas de restrição da pandemia—, vão passar a ter segurança reforçada, por parte do corpo de segurança pessoal da PSP.

A notícia está a ser avançada esta sexta-feira pelo Expresso, que diz que há vários ministros neste rol de políticos cuja integridade física está a preocupar as autoridades e acrescenta ainda, citando fonte policial, que está a ser avaliado e preparado “um conjunto de reações mais duras contra os negacionistas”.

Ferro Rodrigues insultado por dezenas de manifestantes negacionistas

As manifestações promovidas pelos chamados negacionistas têm vindo a subir de tom — a 14 de agosto o almirante Gouveia e Melo foi recebido num centro de vacinação em Odivelas com gritos de “Genocida! Assassino”, acabando mesmo por ser te sair do local com escolta policial; há apenas uma semana Rui Fonseca e Castro, conhecido como “juiz negacionista”, desafiou e insultou vários agentes da PSP à porta do Conselho Superior de Magistratura, para gáudio da assistência que ali se tinha juntado para o apoiar.

O facto de nada ter sido feito e de aparentemente não existirem quaisquer consequências para os atos dos chamados negacionistas, pode, temem as forças de segurança, fazer escalar a violência. Outro receio, confidenciado àquele jornal por uma fonte cuja identidade não foi revelada: que este movimento atraia “pessoas mentalmente desequilibradas ou frustradas com as suas vidas” que “movidas por um qualquer gatilho” façam escalar ainda mais o nível de violência.

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Para além de pelo reforço da segurança dos políticos mais fustigados pelas críticas dos negacionistas, a estratégia das forças de segurança passará por isso por acabar com o sentimento de impunidade dos manifestantes em questão: “A recente participação da PSP ao Ministério Público dos incidentes com Ferro Rodrigues, e a queixa-crime contra o juiz Rui Fonseca e Castro após os insultos aos agentes são apenas os primeiros passos para tentar inverter essa impunidade”.

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Duas das principais promotoras das manifestações negacionistas, a bancária Ana Desirat e a operadora de call center Sónia Pritham, acrescenta o Expresso, têm sido “monitorizadas de perto pelas autoridades”.