O cabeça de lista do BE à Câmara de Leiria defendeu esta segunda-feira um conjunto de medidas ambientais que quer implementar para “oferecer um futuro mais sustentável para todos os leirienses”.

Alertando para a situação da bacia hidrográfica do Lis, Luís Miguel Silva e uma comitiva bloquista percorreram pela manhã desta esta segunda-feira a margem do rio, até ao ponto onde este se encontra com o rio Lena.

Ao longo do caminho, o candidato denunciou locais onde disse serem feitas descargas de efluentes domésticos e industriais, que poluem as águas.

“Cinco por cento da rede de saneamento em Leiria está a correr direto para o rio, sem qualquer tratamento. Temos de criar soluções”.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

A poluição do rio Lis “é um problema longo e bastante complexo”, reconheceu. Mas, porque “os recursos hídricos têm uma importância essencial até para o próprio combate às alterações climáticas”, a solução deve ser “olhada de uma forma holística”.

Além de defender a construção da estação de tratamento de efluentes suinícolas, o candidato prometeu lutar pela valorização dos chorumes, redução do número de carros na cidade, requalificação da Linha do Oeste, resolução dos problemas de saneamento doméstico e fomentar transportes ecológicos, “como autocarros a energia elétrica”.

“Só assim vamos conseguir oferecer um futuro mais sustentável e melhor para todos os leirienses”, frisou Luís Miguel Silva.

Para o BE, o problema da bacia do Lis “não cabe apenas ao município de Leiria” e, por isso, criticou o PS local por ter chumbado a proposta de criação de um serviço intermunicipal, com Porto de Mós, Batalha e Marinha Grande.

“Não percebemos esta visão do executivo”, diz Luís Miguel Silva, para quem o ambiente “é uma questão de princípio”.

Na visita desta segunda-feira, o BE lamentou também a falta de posição do município de Leiria na atribuição dos fundos da Política Agrícola Comum (PAC), que poderiam ajudar os produtores dos campos do Lis.

“Temos [a aplicação de] cerca de 10 mil milhões em discussão e o nosso município não tem demonstrado grande visão sobre o assunto. Nós sabemos que em Leiria cerca de 50% da área agrícola está fora dos fundos da PAC, que estão desenhados para proteger os grandes latifundiários a sul do Tejo”, notou.

Luís Miguel Silva alertou ainda, no percurso, para uma vedação sob uma das pontes sobre o rio Lis, para impedir a pernoita a pessoas sem abrigo.

“Estão a escorraçar as pessoas dos locais onde conseguem ter um mínimo de condições. A Câmara, em vez de resolver os problemas, mascara-os, com intervenções de embelezamento”, acusou, defendendo o reforço das soluções sociais de habitação.

Nas últimas eleições autárquicas, em 2017, o PS manteve a liderança da Câmara de Leiria, conquistando oito mandatos, enquanto o PSD obteve três.

São candidatos à Câmara de Leiria nas eleições autárquicas marcadas para domingo o presidente da Câmara, Gonçalo Lopes (PS), Álvaro Madureira (PSD), Fábio Joaquim Seguro (CDS-PP), Filipe Honório (Livre), Luís Miguel Silva (BE), Luís Paulo Fernandes (Chega), Marcos Ramos (Iniciativa Liberal), Pedro Machado (PAN) e Sérgio Silva (CDU).