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O Presidente da Turquia considerou que o “passado colonial” e o “racismo institucional” em França estão na origem dos tumultos urbanos registados no país e manifestou receio que conduzam “a mais opressão dos muçulmanos e migrantes”.

Em declarações transmitidas pela televisão, após uma reunião do Governo turco, Recep Tayyip Erdogan relacionou a violência observada nos últimos dias em França entre manifestantes e as forças policiais à “mentalidade colonial”, quando na terça-feira se completa uma semana da morte de um adolescente por um polícia, incidente que despoletou protestos em várias cidades do país.

“Sobretudo em países conhecidos pelo seu passado colonial, o racismo cultural converteu-se em racismo institucional. Na raiz dos acontecimentos iniciados em França está a arquitetura social construída por esta mentalidade”, acrescentou Erdogan.

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“A maioria dos migrantes sistematicamente oprimidos e condenados a viver em bairros marginais e guetos são muçulmanos”, prosseguiu Erdogan, que se tem apresentado como um defensor dos migrantes muçulmanos na Europa.

Ao comparar a morte de centenas de migrantes no final de junho ao largo das costas gregas, e privados de socorro, ao mediatizado desaparecimento dos “cinco ricos que foram ver o Titanic e morreram”, Erdogan fustigou o que designou de “sinal da mentalidade colonial, arrogante, desumana, baseada na superioridade do homem branco”.

Apesar de sublinhar que a Turquia não aprova a destruição de propriedade pública ou o saque de estabelecimentos, Erdogan assegurou que “infelizmente a violência deu lugar à violência e desencadeou os protestos”.

“Também nos preocupa que estes incidentes provoquem uma nova vaga de opressão contra os muçulmanos e os migrantes. Os turcos pagaram o mais elevado preço da islamofobia”, assegurou o líder turco, sem acrescentar mais detalhes.

Vários locais para a realização dos eventos olímpicos, especialmente na Ile-de-France, estão no centro de bairros sensíveis, que têm registado uma tensão crescente após a morte do jovem de Nahel, de 17 anos, baleado por um polícia numa operação de trânsito.

Em cinco noites consecutivas de tumultos, até domingo de manhã, foram registados, entre outros atos de violência, cerca de 5.000 veículos incendiados, quase 1.000 edifícios vandalizados, 250 ataques a esquadras de polícia e a mais de 700 membros das forças de segurança.

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Registado por um vídeo amador que contradiz a história inicial contada pela polícia, o tiro à queima-roupa que um agente disparou contra o jovem em Nanterre (nos arredores de Paris), em 27 de junho, chocou o país, desencadeando uma onda de violência, e repercutiu muito além das fronteiras francesas.

Nas últimas noites, os distúrbios desencadeados pelo incidente de Nanterre levaram à detenção de mais de 3.200 pessoas em toda a França, afirmou o ministro do Interior francês, Gérald Darmanin, durante uma visita à cidade de Reims.

Os media turcos acompanharam de perto os tumultos, em particular a cadeia televisiva pública TRT, que nunca prescindiu de indicar que o adolescente, nascido em França, “era argelino”. O agente da polícia suspeito da morte do jovem está acusado de homicídio e em prisão preventiva.