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ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

A candidatura da Constituição que não termina nesta noite eleitoral e as críticas a Marcelo nas mãos de Jerónimo /premium

João Ferreira prometeu "estar cá amanhã" para continuar a lutar, mas fugiu à questão sobre candidatura a autárquicas ou a assumir destinos do PCP. A noite eleitoral tranquila do candidato comunista.

Da sede de candidatura ao hotel Sana Metropolitan, na rua Soeiro Pereira Gomes, são poucas dezenas de passos. Enquanto jornalistas e poucos apoiantes — para respeitar as contingências que os tempos impõem — se vão reunindo em torno das três televisões instaladas na sala do hotel na expectativa de ver o lugar ocupado pela candidatura de João Ferreira os ânimos vão-se mantendo calmos. A acompanhar as primeiras projeções não há entusiasmos de vitória, nem desânimo de derrota. Tudo parece controlado, dentro das expectativas. As primeiras sondagens davam posições diferentes a João Ferreira, ora à frente, ora atrás de Marisa Matias, mas sobre isso nem uma palavra. A palavra de ordem era esperar.

Pouco mais de duas horas demorou até haver resultados mais sólidos e João Ferreira haveria de entrar na sala acompanhado pelo secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa. Com dois discursos, ficou para Jerónimo a parte mais dura: de críticas a Marcelo a menções a André Ventura e a Tiago Mayan Gonçalves. Ferreira deixou garantias de continuidade e retomou o discurso feito ao longo da campanha eleitoral: é na Constituição que estão as respostas àquilo que falta no país.

Nova candidatura ainda este ano à autarquia de Lisboa ou um futuro à frente do PCP? Não foi assunto para hoje, com João Ferreira a contornar a questão. “O secretário-geral do PCP está aqui [disse, apontando para Jerónimo] e está muito bem”, disse deixando ainda outros cenários [das autárquicas] para uma abordagem “a seu tempo”. A resposta valeu-lhe um aplauso mais caloroso que aquele que recebeu no final do discurso. A posição de Jerónimo não é questionável pelo menos, como o próprio indicou, até que “a saúde” permita.

João Ferreira na chegada ao púlpito para reagir aos resultados eleitorais

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Sem nunca apontar a metas eleitorais, ao longo das últimas semanas João Ferreira foi folheando as páginas da Constituição e assinalando apoios recebidos de “quadrantes diferentes” do seu. Esta noite, no hotel Sana Metropolitan voltou a esses apoios e diz que conta com eles “em batalhas fundamentais”, essencialmente no que diz respeito ao “fortalecer das raízes do regime democrático na sociedade portuguesa”.

Recusando abdicar da candidatura para que os portugueses pudessem encontrar no boletim de voto um única candidatura à esquerda, João Ferreira destacou o “combate pela democracia, liberdade e direitos dos cidadãos” que travou durante a campanha eleitoral. Já Jerónimo de Sousa haveria de notar que sempre que foi necessário o PCP teve “um rasgo democrático” para garantir a eleição de Presidentes da República que não eram no seu partido. “Estamos à vontade em relação à política unitária, num quadro em que existiram condições para isso. Não houve qualquer desenvolvimento na necessidade dessa convergência formal de uma candidatura que pudesse reunir várias forças”, justificou Jerónimo de Sousa.

Chegamos aqui ainda mais firmes e ainda mais empenhados na defesa da democracia, das liberdades e direitos democráticos. Ainda mais determinados para combater e derrotar projetos anti-democráticos e de confronto com a Constituição da República“.

João Ferreira que esteve nesta corrida acompanhado por um candidato que afirmava a intenção de jurar a Constituição já com o objetivo de a alterar, lembrou a história de luta contra o fascismo do Partido Comunista Português, personificou a honra desse passado de luta e deixou claro que cá continuaria para ser força de oposição e bloqueio à progressão dessas forças no país.

A Constituição contém soluções e caminhos para resolver os problemas do país e do nosso povo. A exigência do seu cumprimento será uma questão decisiva nos próximos cinco anos”.

Mas para isso, reafirma, é necessário alterar políticas para que os portugueses que procuram a resposta aos seus problemas nessas forças possam reencontrar a “esperança” necessária para não alimentar correntes populistas. E estará atento ao cumprimento da lei fundamental ao longo dos próximos cinco anos.

Críticas a Marcelo ficaram a cargo de Jerónimo

Sobre um segundo mandato de Marcelo a reação ficou a cargo de Jerónimo de Sousa. O secretário-geral do Partido Comunista Português dedicou, aliás, longos minutos iniciais a criticar o primeiro mandato de Marcelo, a atenção que recebeu nesta eleição e aquilo que, agora, poderá fazer num segundo mandato.

A reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa à primeira volta traduz o resultado expectável de uma elaborada promoção deste candidato que, para lá da vantagem ímpar decorrente do exercício das funções presidenciais, beneficiou da fabricação de um unanimismo ensaiado suportado num posicionamento promovido e propagandeado metódica e continuadamente. Um resultado que coloca a possibilidade real de, para lá das palavras, o agora reeleito Presidente da República exercer um segundo mandato com um alinhamento agora ainda mais explícito com os objetivos, interesses e agenda da direita, que nunca deixou de estar presente em importantes decisões adotadas no desempenho das suas funções”

Mas não foi só Marcelo o visado no discurso de Jerónimo. O secretário-geral do PCP fez questão de frisar que os resultados dos “candidatos que deram rosto às expressões mais reacionárias associadas aos interesses do grande capital revanchista, André Ventura e Tiago Mayan” ficaram “aquém da deliberada promoção e centralidade que alguns lhes quiseram atribuir”. Jerónimo voltou a destacar que é a “ausência de resposta cabal por parte do governo à extensão e dimensão dos problemas” que “abre espaço à instrumentalização para alimentar agendas reacionárias e justificar projetos antidemocráticos visando a Constituição”.

Jerónimo de Sousa discursa na noite eleitoral

ANDRÉ DIAS NOBRE / OBSERVADOR

Ainda que tenha resistido a comentar números, João Ferreira ainda deixou escapar que gostava de ter tido um “acolhimento mais amplo da visão” sobre a Constituição. “Se me perguntar se eu gostava que [o acolhimento] fosse mais amplo do que foi, não lhe vou dizer que não, evidentemente que sim, mas não fiz nenhuma consideração quanto a números, nem farei”, respondeu João Ferreira aos jornalistas depois de ter feito um discurso sem abordar o resultado nas urnas. Ferreira deixou agradecimentos aos democratas, aos dois partidos que o apoiaram na corrida (PCP e PEV, que concorrem às urnas coligados como CDU) e não deixou de recordar “todos os que, desejando votar nesta candidatura, não o puderam fazer, por não poderem sair de suas casas”.

Valorizar os imprescindíveis deste país – os trabalhadores. Defender o Serviço Nacional de Saúde, os serviços públicos, as funções sociais do Estado. Valorizar a educação, a cultura. Promover um desenvolvimento em harmonia com o ambiente e os recursos naturais”

Com uma campanha muito focada nos trabalhadores que “não podem confinar”, João Ferreira fez questão de, no discurso final, assinalar que são esses “os imprescindíveis” e traçar aquilo que considera essencial para o país, nos próximos cinco anos: defender o SNS, os serviços públicos, valorizar a escola pública e a cultura e, tudo isto, num desenvolvimento que ande de mãos dadas com a proteção do ambiente e dos recursos naturais do planeta.

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