Não é um programa, antes um “plano de ação”. Pelo menos foi essa a ideia que Pedro Nuno Santos, o líder socialista que gostaria de ser conhecido como um “fazedor”, quis transmitir durante a longa hora e meia que passou a apresentar o programa eleitoral do PS. Cheio de palavras como “agir”, “avançar” e “fazer”, o programa reflete ainda assim em boa parte a continuidade de muitas das medidas inicialmente lançadas pelos governos de António Costa — e contou com o seu ministro das Finanças, Fernando Medina, a ajudar na apresentação e a tentar fazer a ponte entre passado e futuro de forma coerente.

Esse era, de resto, um dos trabalhos de Pedro Nuno: apresentar um programa, rodeado de gráficos e cartazes verde-esperança, que explicasse, como o próprio justificou, que não tem “vergonha” do passado do PS (antes “orgulho”) mas que o mesmo terá de o “perdoar” por querer fazer algumas mudanças.

A mudança pareceu tratar-se, em vários pontos, de uma promessa que tem sobretudo a ver com “atitude”, não necessariamente com políticas: foi assim que repetiu o slogan sobre deixar de “arrastar os pés”, mas também disse querer admitir com “honestidade” que quando toma uma medida insuficiente é porque deve obedecer a restrições orçamentais; disse tencionar que as Finanças deixem de “mandar” no Governo e que a Economia ganhe uma centralidade renovada; e contrariou teses defendidas por António Costa e pelo próprio Fernando Medina, como que o problema do SNS é apenas de gestão e não de falta de investimento — “também o é”, assegurou Pedro Nuno Santos.

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