Dentro do prazo (até ao final do ano) e sem gastar todo o dinheiro previsto (o que parece ser mais exceção do que regra nas grandes obras), a Comissão Técnica Independente (CTI) apresentou a sua recomendação para o novo aeroporto, mesmo com a queda do Governo e depois de “uma pessoa” — que a coordenadora da CTI não identifica — a ter aconselhado a adiar a entrega do relatório até ao próximo executivo. Em entrevista ao Observador,  também emitida na Rádio Observador, Rosário Partidário assume que seria um desperdício de recursos públicos se o relatório que recomenda o Campo de Tiro de Alcochete como solução final para o novo aeroporto (com a Portela a operar numa primeira fase) fosse posto na gaveta. “Mas neste país tudo é possível”, desabafa.

A recomendação para a expansão da capacidade aeroportuária obriga o Estado a negociar os termos da concessão com a ANA, um contrato que regula um serviço público, mas que está a ser “orientado para objetivos e prioridades de uma empresa privada”. Rosário Partidário estranha que a concessionária esteja disposta a pagar uma solução (Montijo) que é de curto prazo (e mais barata) e que num cenário alto de procura poderia esgotar-se em 2029. E defende uma negociação da concessão que torne menos assimétrico o contrato que atualmente dá muito pouca margem ao Estado. Daí que à pergunta sobre quais os maiores riscos para a execução do projeto, não hesite na resposta: “os jurídicos”. Apesar de acreditar que a ANA vai querer negociar para não correr o risco de perder o seu ativo mais rentável (o aeroporto da Portela).

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