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A resposta curta é: sim, os números de casos positivos adicionados diariamente aos relatórios de situação da Direção-Geral de Saúde (DGS) sobre a Covid-19 em Portugal são de “fiabilidade elevada”, assegura Raquel Guiomar, responsável pelo Laboratório Nacional de Referência para o Vírus da Gripe e outros Vírus Respiratórios no Departamento de Doenças Infecciosoas do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), ao Observador.

Os números variam mas, de acordo com o INSA, os testes RT-PCR com base numa amostra colhida na nasofaringe — os testes de diagnóstico que são utilizados em Portugal para confirmar uma infeção pelo novo coronavírus— têm uma sensibilidade de “aproximadamente 100%” e uma especificidade de “entre 91% e 100%”. Estes são “os testes que oferecem maior fiabilidade”, avalia a especialista, precisamente por “apresentarem maior sensibilidade e especificidade que os restantes, garantindo a deteção de ARN viral mesmo que em pequenas quantidades nas amostras biológicas”.

A diferença entre sensibilidade e especificidade de um teste

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A sensibilidade de um teste mede a percentagem de pessoas infetadas que são corretamente identificadas como tal. Quanto maior for a sensibilidade de um teste, menor a probabilidade de um falso negativo.

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Por sua vez, a especificidade mede a percentagem de pessoas saudáveis, que não estão infetadas, de serem corretamente identificadas como tal. Neste caso, quanto maior for a especificidade do teste, menor a probabilidade de um falso positivo.

Estes dados contrariam assim as polémicas que têm circulado sobre os números os boletins das autoridades de saúde portuguesas estarem inflacionados. Multiplicam-se nas redes sociais publicações que defendem que os doentes assintomáticos da Covid-19 são falsos positivos (ou seja, acreditam que por uma pessoa não ter sintomas e não desenvolver a doença, não deve entrar nas contas como infetada), o que exacerbaria a contagem de casos em Portugal. Os próprios deputados colocaram em causa os dados diários por causa dos “números muito diferentes” e da “divergência de dados” durante a audição a Graça Freitas, algo que a diretora-geral da saúde contestou: “É altura de deixarmos de por o país nas bocas do mundo, dizendo que a informação não é boa. Isso até nem é patriótico”.

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