Detido algumas horas antes, na casa dos pais, onde o corpo da mãe ainda estava, Luís Xavier estava pronto para confessar o homicídio. Fora ele o responsável pelo cenário encontrado pela Polícia Judiciária ali mesmo, na sala de estar: o cadáver de Albertina Xavier, 86 anos acabados de fazer, coberto por uma manta, ao lado do sofá. O mesmo sítio onde, menos de 24 horas antes, Albertina tinha celebrado o seu aniversário rodeada da família. Foi Luís, aliás, que a cobriu, depois de a matar, num gesto de esconder o estado em que a tinha deixado — e que até a ele causava alguma impressão, como acabou por confessar.

Não mostrou qualquer resistência no momento da detenção. Já na sala de interrogatórios da PJ de Setúbal, estava calmo mas descompensado. “Você tem um ar mitológico”, dizia ao inspetor que o ia interrogar, antecipando os contornos da história que se preparava para contar. Uma história que poderá ser repetida por Luís Xavier se este aceitar ser interrogado pelo coletivo de juízes que o vai julgar, no Tribunal Judicial da Comarca de Setúbal. Naquele dia, como até agora, o arguido, acusado de homicídio qualificado, disse que apenas queria libertar a mãe de um mal: o demónio.

O julgamento estava marcado para esta quinta-feira, 4 de abril, mas foi adiado porque o arguido não compareceu. O Hospital Prisional de São João de Deus, em Caxias, onde Luís Xavier se encontra em prisão preventiva, alega não ter sido notificado para levar o arguido ao tribunal. Não se sabe, para já, a nova data para o início do julgamento.

O “chá lento”, a “sandezinha martelada” e a suspeita de que a mãe estava possuída

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