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Das viseiras às máscaras, há várias empresas portuguesas se reinventaram temporariamente para contribuir para a luta contra a pandemia

Das viseiras às máscaras, há várias empresas portuguesas se reinventaram temporariamente para contribuir para a luta contra a pandemia

Viseiras, máscaras e desinfetante. Como as empresas portuguesas se reinventaram para lutar contra a Covid-19

Faziam impressões 3D ou peças para automóveis, agora fabricam viseiras. Produziam têxteis ou cerveja, agora fazem desinfetante. Há empresas portuguesas a mudar a produção na luta contra a Covid-19.

O país está a meio gás devido ao estado de emergência. E, um pouco por todo o lado, surgem vários pedidos de mais material médico. é preciso produzir mais viseiras, mais gel desinfetante, mais máscaras. Foi a partir destas duas premissas que várias empresas portuguesas se reinventaram temporariamente para contribuir para a luta contra a pandemia. Algumas transformaram a sua produção, outras adaptaram-se e houve ainda quem tenha começado do zero o estudo e criação de equipamento médico, como os ventiladores.

Entre a produção de viseiras faciais, ventiladores, máscaras e ainda o aproveitamento de outros produtos para se conseguir gel desinfetante, há um conjunto de empresas portuguesas que, nos últimos tempos, teve de alterar a sua forma de trabalho, mas decidiu fazê-lo com o objetivo de ajudar na luta contra a Covid-19.

Fan 3D: como uma consultora para impressões 3D criou uma rede para imprimir viseiras

A Fan 3d é uma empresa recente de consultoria em engenharia que tinha como foco prestar apoio para a indústria nas melhores práticas da impressão 3D. Agora utilizam este conhecimento as e impressoras que têm à disposição para criar viseiras de proteção para os profissionais de saúde, que trabalham nos hospitais. Como conta ao Observador Eurico Assunção, professor no Instituto Superior Técnico (IST), vice-presidente executivo da Federação Europeia de Soldadura e responsável desta empresa: “Como se diz, a ocasião faz o ladrão”. Contudo, aqui o lucro não é dinheiro — que não recebem — é ajudarem.

Vai ser um rombo [monetário], mas nem estamos a pensar nisso. Decidimos comprar mais consumíveis [materiais para poderem imprimir]. Se não fizermos, ninguém faz por nós”, desabafa.

Tudo começou quando Eurico falou com “uma colega de centro nacional de Saúde” que lhe disse que não tinham equipamento. Rapidamente foi ver se havia alguma solução para impressão em 3D. No dia do Pai, a 19 de março, já estava a fazer as primeiras viseiras para o Hospital de Setúbal.

Depois, nasceu uma rede de ajuda: “Vimos mais empresas e pessoas a querer ajudar para distribuir viseiras. Disponibilizámos o ficheiro e demos os primeiros passos na criação de uma rede de pessoas dispostas a ajudarem no outro lado”. Em menos de uma semana “o projeto deixou de ser uma coisa só nossa [da equipa da Fan 3D]”, diz humildemente. “Somos só uma gota de água nesta rede que foi criada esta semana. Seis máquinas em 100 é pouco”, refere o professor.

[No Facebook, a empresa deixou um apelo para quem quer juntar-se a esta rede]

???????? ????????????????ÇÃ????!!A todas as pessoas e empresas ???????????? ???????????????????????????????????????????? 3???? que, como nós, querem travar o COVID-19 e por isso nos…

Posted by FAN 3D on Monday, March 23, 2020

Durante o primeiro fim de semana, a empresa distribuiu 30 viseiras. “Continuamos a trabalhar e a produzir para que possamos ajudar na maior escala possível. As viseiras que imprimimos já estão a ser utilizadas no hospital e com grandes resultados”, explica. “Garcia da Horta, centro da saúde do Pinhal Novo, hospital de Almada, hospital da Guarda e IPO do Porto”, são apenas algumas das entidades que já contam com o apoio desta rede de 100 máquinas (só seis é que são da Fan 3D) que o movimento desta empresa criou.

“Temos uma colaboração com o Instituto Superior Técnico para o Santa Maria e temos uma colaboração com a Universidade Nova de Lisboa”, referiu ainda. A Fan 3d ainda tentou inscrever-se para terem ligação à DGS, mas esse contacto tem sido feito de forma indireta pelas universidades.

DGA: das peças de automóvel para as viseiras

Em 30 anos de existência, a DGA, uma empresa portuense que fabrica várias peças de automóveis, Domingos Araújo nunca imaginou que um dia iria suspender a produção para se dedicar ao fabrico de viseiras faciais para profissionais de saúde. Mas. aconteceu. E tudo começou com uma pergunta do filho quando percebeu o panorama do país face ao novo coronavírus: “O que é que podemos fazer para ajudar?”

O fundador do negócio falou com a Câmara Municipal do Porto para perceber o que poderiam fazer, mas houve outro episódio que ajudou a optar pelas viseiras: “Quando fui buscar um medicamento a uma farmácia e disse que estávamos a pensar em ajudar, o farmacêutico perguntou como é que íamos fazer isso. Mostrei um protótipo e, 5 minutos depois, ligou-me um senhor a dizer que o Hospital de São João estava quase sem nada”, explicou Domingos Araújo ao Observador.

Desde a semana passada, a DGA já produziu cerca de quatro mil viseiras que são fornecidas ao Hospital de Santo António e ao Hospital de São João, no Porto, entregando quase todos os dias o material.

O mote estava dado. “A partir de amanhã, não vamos fazer mais nada de peças de automóvel. Precisamos de dinheiro, mas precisamos mais de ajudar as outras pessoas”, disse ao filho naquele dia. Depois de reunir com a equipa toda da empresa, e depois de todos se mostrarem disponíveis para ajudar, a DGA iniciou a sua produção de viseiras faciais.

Desde a semana passada, a empresa já produziu cerca de quatro mil viseiras que são fornecidas ao Hospital de Santo António e ao Hospital de São João, no Porto, entregando quase todos os dias o material. A produção, explica o responsável, foi adaptada, tendo a empresa contactado fornecedores de outros materiais, como esponjas e elásticos, e muitos deles “largaram imediatamente tudo para fornecer este material” a preço de custo.

Os pedidos, adianta, têm chegado um pouco de todo o lado — incluindo de Espanha e Inglaterra –, mas a prioridade passa por servir os hospitais portugueses de primeira linha com toda a urgência possível. “Só tive portas a abrirem-se, tudo gente que largou absolutamente tudo”, refere Domingos Araújo.

VivaLab. “Espalhar” ficheiros para que todos produzam viseiras

João Leão é cofundador do VIVALab, um “fablab” — laboratório de fabricação de projetos digitais, como impressão 3D — no Porto. Neste espaço, desde crianças a adultos podiam aprender mais sobre como criar na vida real e virtual o que queriam. Contudo, desde 23 de março, a cortadora a laser deste espaço tem um nova missão: produzir viseiras para hospitais e centros de saúde.

“Tendo a possibilidade de desenvolvimento rápido através do nosso FabLab decidimos visitar os hospitais do Porto e receber o feedback das necessidades urgentes, tanto de enfermeiros como médicos, de maneira a compreender como a comunidade de FabLabs e Maker poderá enquadrar-se de forma a desenvolver e dar resposta às carências”, explica João Leão ao Observador.

Nunca noutro momento qualquer na história o Movimento Maker fez tanto sentido.Estamos felizes por poder ajudar das…

Posted by Viva Lab Porto on Thursday, March 26, 2020

O projeto tem o apoio da Câmara Municipal do Porto na parte logística e o objetivo é que se produzam mais viseiras para outras zonas do país, acrescenta João Leão. Inicialmente, as viseiras médicas começaram por ser doadas. Contudo, “para que o processo se torne autossustentável”, os responsáveis do projeto estão a coordenar com pequenas empresas e a indústria a produção a preço de custo.

4 fotos

O objetivo é fabricar cada vez mais. “No terceiro dia de produção, batemos o recorde de 500 viseiras produzidas e iniciamos a produção dos óculos com a comunidade maker [quem produz produtos com impressoras 3D ou digitalmente] do Porto”, conta. “Espalharam” os ficheiros necessários para produzir estes produtos com makers locais e conseguiram, no dia seguinte, entregar 200 hastes para os óculos, refere João. “Demonstra bem o potencial da manufatura distribuída e do open design”, diz orgulhosamente.

Um protótipo de ventilador que está a nascer no Ceiia

No Centro para a Excelência e Inovação na Indústria Automóvel (CEiiA), situado em Matosinhos, há uma equipa de 70 pessoas que está, há dez dias, empenhada em criar um protótipo de ventilador para ser produzido em Portugal e, assim, aliviar um pouco o problema da falta destes equipamentos nos hospitais.

Durante a visita do primeiro-ministro ao espaço, na sexta-feira, Tiago Rebelo, o diretor de engenharia do CEiiA, explicou que este projeto consiste num “novo modelo open source de ventiladores, de baixo custo, montagem simples e produção local”, cuja industrialização será descentralizada. Este ventilador é produzido com materiais e componentes disponíveis em Portugal, compatível com a infraestrutura hospitalar e “de utilização fácil e intuitiva”. A garantia dada a António Costa é que este é um ventilador “seguro e fiável”.

No CEiiA há uma equipa de 70 pessoas que está, há dez dias, empenhada em criar um protótipo de ventilador para ser produzido em Portugal

LUSA

“Não estamos a fazer o melhor ventilador do mundo, estamos a fazer o melhor possível para responder a um problema de uma forma rápida e eficaz”, referiu Tiago Rebelo, acrescentando que o desafio “é complexo” e que em condições normais demoraria um ano a ser desenvolvido. “Não precisamos de nos motivar, a causa em si já é uma motivação.”

Após cumprir os requisitos médicos, o projeto foi testado, estando neste momento previsto ser lançado o primeiro protótipo na próxima sexta-feira, 3 de abril. No fim de abril a intenção é conseguir produzir 100 unidades, no fim de maio 400 e a partir daí poder descentralizar para a indústria nacional, de forma a que nos próximos seis meses possam existir 10 mil ventiladores em produção.

Sonix: esta empresa da indústria têxtil mudou a produção e passou a produzir máscaras e batas

A história da Sonix ficou conhecida a 19 e 20 de março, com notícias no Jornal de Negócios e na Renascença. “Os médicos que me têm ligado, até de madrugada, dão conta de que há profissionais de saúde – médicos e enfermeiros – a trabalhar com a mesma bata há três dias, porque não têm com que mudar”, dizia Conceição Dias, responsável da empresa, a esta rádio. Mudaram a produção têxtil habitual e passaram a fazer máscaras e batas.

Neste início de mais uma semana, que se avizinha difícil e de luta contra este nosso inimigo invisível, e após o apelo…

Posted by Sonix – Textile Professionals on Monday, March 23, 2020

No Facebook, a empresa contou a 23 de março que “começou esta ideia de forma tímida” e, neste momento, “são muitos os parceiros que já se juntaram”. Nesta data, de acordo com a mesma publicação, “cerca dos dois mil conjuntos para as equipas foram “parcialmente entregues”. Além de máscaras e batas, outra empresa do grupo está a fabricar gel desinfetante.

Na indústria do calçado também se produzem máscaras e viseiras

Do setor do calçado também estão a ser criadas formas de não só reinventar o negócio numa altura em que o país está praticamente parado, mas também para ajudar face à falta de material de proteção individual. Luís Onofre é um exemplo disso. O conhecido designer de calçado iniciou esta semana a produção diária de 500 máscaras não cirúrgicas na sua fábrica em Oliveira de Azeméis, numa parceria técnica com o Centro Tecnológico do Calçado de Portugal (CTCP).

Estas máscaras são doadas a instituições do concelho de Oliveira de Azeméis e arredores, tendo sido já sido também assegurada a distribuição no Hospital de Santa Maria da Feira, Hospital de Famalicão, Centro Dial, Lar Geribranca, Lar Pinheiro da Bemposta, Lar Pró Outeiro e Cruz Vermelha. O designer português espera, esta semana, aumentar a produção diária para 800 unidades.

O designer de calçado Luís Onofre iniciou a produção diária de 500 máscaras não cirúrgicas na sua fábrica em Oliveira de Azeméis

O movimento, refere Luís Onofre em comunicado, foi iniciado pela empresa Vitorino Coelho. Paulo Gonçalves, diretor de comunicação da APICCAPS (Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos) fala ao Observador de cerca de 20 empresas voluntariamente mobilizadas para a produção de máscaras não cirúrgicas e viseiras, um número que no início da semana não ia além das três. No total, estima que, neste momento, estejam a ser produzidas entre 12.000 e 15.000 unidades diárias.

Magikbee: de apps didáticas a uma aplicação em que o herói lava as mãos e distribui máscaras

Magikbee, uma startup da comunidade da Startup Braga (o hub de inovação da cidade), tem como objetivo fazer apps para ensinar aos mais novos de forma lúdica “o uso positivo, criativo e educacional da tecnologia “. Lançou apps como o kiddZtube, uma uma plataforma de streaming de vídeos para crianças dos 2 aos 8 anos. Agora, quer ensinar os mais novos como prevenirem com o Virus Fight Club.

Neste jogo o herói tem de pôr máscaras aos infetados e lavar as mãos para não perder saúde

Neste jogo, como conta a startup em comunicado, o objetivo é recolher o maior número possível de vacinas. Durante o percurso, o jogador tem de evitar situações de contágio. O maior desafio é evitar situações de risco como pessoas a espirrar, tossir, grupos, entre outros obstáculos. Contudo, a lavagem frequente das mãos protege o jogador das ameaça. Além disso, durante o jogo, o jogador pode recolher máscaras para entregar a pessoas infetadas, garantindo assim a sua proteção.

À medida que a crise do coronavírus se agrava, educar o público e, principalmente, as crianças é essencial para minimizar situações de contágio e evitar o pânico. As pessoas sentem-se impotentes em relação à pandemia e o jogo permite-lhes criar uma espécie de mundo paralelo, no qual todos podemos salvar o mundo”   , defende Hugo Ribeiro, presidente executivo da Magikbee.

Hugo Ribeiro explica que este é o “contributo” da Maikbee para “ajudar a que as recomendações importantes da OMS sejam absorvidas, sem dramatizar, mas utilizando um formato mais atrativo, divertido, logo mais próximo das gerações mais novas”. O jogo está disponível em inglês, chinês, espanhol, árabe, russo, japonês, francês, italiano, alemão e português. A app pode ser descarregada nas principais plataformas: iOS App Store, Google Play e Amazon App Store. Atenção: como outras apps, esta aplicação tem anúncios.

O grupo de micro-cervejeiros que está a doar desinfetante

O que acontece quando dezenas de micro-cervejeiros se juntam para ajudar no combate ao surto do novo coronavírus? “Em duas semanas, foram entregues 500 mil litros diluídos de desinfetante para tudo o que é parte do país”, responde Diogo Trindade, da micro-cervejeira Lindinha Lucas, no Porto.

A iniciativa começou quando Hugo Santos, da Cerveja Chica, em Lisboa, falou com militares da GNR que lhe explicaram que estavam sem produtos para limpar e desinfetar esquadras e automóveis. “O Hugo lembrou-se que todos nós, cervejeiros, usamos ácido paracético diluído e que esse ácido também pode, por exemplo, ser utilizado na limpeza de blocos operatórios”, explicou ao Observador Diogo Trindade, depois de também ter sido abordado com esta ideia.

Aliado a um grupo de WhatsApp que foi criado com vários micro-cervejeiros na altura dos festivais de verão, a iniciativa destes produtores foi mesmo para a frente e conta atualmente com cerca de 70 profissionais, sendo que 98% são produtores de cerveja divididos por várias partes do país.

Um conjunto de micro-cervejeiros de todo o país uniu-se para doar vários litros diluídos de desinfetante

“Começamos a pedir a todos os outros cervejeiros para se tornarem também em polos de distribuição. Os do Porto recebiam o contacto e passavam ao cervejeiro, por exemplo, de Famalicão porque era mais perto. De repente as coisas começaram a crescer e começamos a ter cada vez mais pessoas interessadas”, acrescenta Diogo Trindade.

Ao armazém deste grupo de micro-cervejeiros — que criou uma página especialmente para a iniciativa — chegam profissionais de vários tipos para recolher este produto, desde forças de segurança a centros hospitalares. A procura foi tanta que chegou a um ponto em que todos os produtores estão já a comprar produto para doar: “Inicialmente contávamos com o stock de cada um, de baldes fermentadores, mas neste momento foram quase todos doados e estamos numa fase mais complicada de não fazermos vendas. Já estamos na fase em que estamos a comprar para doar.

Diogo Trindade explica ainda que este produto pode ser entregue já diluído e pronto a utilizar ou por diluir mas com uma formação prévia para o fazer em segurança. Também em Espanha e França os produtores de cerveja começaram a seguir o mesmo conceito, depois de contactarem com estes micro-cervejeiros portugueses. Agora, falta algum apoio para continuar a ajudar, especialmente a nível de produto e embalagem.

Super Bock e Destilaria Levira também passaram a fazer gel desinfetante

A Super Bock faz cerveja, a destilaria Levira faz licores e aguardentes. O que têm em comum? São portuguesas e fazem álcool. Agora, fazem também gel desinfetante.

Como contam estas empresas em comunicado, cerca de 56 mil litros de álcool da produção de cerveja sem álcool da Super Bock estão a ser transformados pela Destilaria Levira “em aproximadamente 14 mil litros de álcool gel para as mãos num processo de fabrico que segue as diretrizes da Organização Mundial de Saúde (OMS)”.

Ao Observador, a Super Bock adiantou esta segunda-feira já foram entregues estes 56 mil litros de álcool a 30°, os quais vão dar um produto final de álcool gel a 70°, num total de 14 mil litros, conforme havia divulgado.

A iniciativa foi dada a conhecer a 20 de março e este álcool gel foi “oferecido a três unidades hospitalares da região do Porto”. “Cientes de que os profissionais de saúde têm sido incansáveis e das suas necessidades para poderem desenvolver o seu trabalho, a empresa procura dar o seu contributo”, disse a Super Bock.

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