A mensagem que está a circular através das redes sociais é longa e pede aos madeirenses que “ajudem a partilhar”. No texto que acompanha uma imagem, é anunciado que a eletricidade não será cobrada aos habitantes da ilha durante um mês, mas a contrapartida deixaria “toda a área ambiental” às escuras entre a meia-noite e as 6 horas da manhã.

Exemplo de uma partilha, no Facebook, sobre luz gratuita na Madeira durante um mês

A imagem utiliza o logotipo da empresa Eletricidade da Madeira e letras, a vermelho, com a palavra “aviso”, para chamar a atenção dos utilizadores das redes sociais, mas não corresponde à verdade.

Fonte oficial da empresa Eletricidade da Madeira afirmou ao Observador que não há fundo de verdade na imagem que está a ser partilhada e que está também a trabalhar num desmentido para divulgar à população.

“Há também informações a circular de que a empresa cobrará metade da fatura, não é verdade. O que a empresa vai cobrar é metade do consumo ou da estimativa do consumo”, esclareceu ao Observador acrescentando que a empresa não tem capacidade para fazer a leitura de todos contadores e que, por isso, serão consideradas também as estimativas.

Este pagamento de metade da fatura surge depois do presidente da região autónoma, Miguel Albuquerque, ter anunciado que os madeirenses estariam “isentos de pagamento do valor respeitante ao consumo de eletricidade e água entre os dias 16 e 31 de março de 2020”, levando a empresa Eletricidade da Madeira a cobrar metade do consumo.

“Não seria possível cobrar metade da fatura, porque inclui os impostos, será cobrado metade do consumo ou da estimativa de consumo”, acrescentou fonte oficial da EEM acrescentando ainda ser “totalmente falso” que haja locais da ilha sem iluminação pública.

Conclusão

Os madeirenses vão estar isentos do pagamento de metade do consumo de energia durante o mês de março, em sequência da decisão tomada pelo governo regional, mas essa redução irá aplicar-se nos valores da energia consumida e não na totalidade da fatura. É falso que a iluminação pública seja desligada entre a meia-noite e as seis da manhã, não se podendo falar naturalmente de um “recolher obrigatório”, embora as autoridades de saúde aconselhem todos os portugueses a manter-se em isolamento social o máximo tempo possível. Ou seja, não se justificando um recolher obrigatório pela falta de iluminação pública nas ruas da Madeira, justifica-se que cada um procure ficar em casa o máximo tempo possível de forma a atrasar ao máximo o contágio pelo novo coronavírus.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

De acordo com o sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook.

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