1 Perfis de liderança – Um dos aspetos mais críticos na forma de gerir um negócio serão necessariamente os perfis de liderança a emergir. Inspiração, exemplo, delegação, centralização, visão? Ou nenhum deles?  Haverá uma nova forma de humanidade sem toque, distante, sem abraço ou incentivo de proximidade? Está por criar. Temos um novo homem, um novo líder e um novo colaborador em nascimento. Quais os contornos para tais figuras humanas?

2 Necessidade de motivação e produtividade – Como se poder motivar e induzir produtividade nas pessoas? Haverá proximidades q.b., com distanciamentos sociais q.b.. A produtividade será a mesma quando, por exemplo, há menos sentido de grupo ou, outro exemplo, a empatia num serviço não esteja disponível em todo o seu potencial? Em qualquer das circunstâncias perder a produtividade é comprometer as empresas e os salários e degradar a motivação é hipotecar a saúde e o bem-estar organizacionais, inclusive o cimento cultural. Como se motiva e nos tornamos produtivos debaixo deste fogo cruzado, mais ainda na presença permanente de uma desinformação alucinante?

3 Dissociação do medo e segurança – Muito há a fazer relativamente à necessidade de dissociar medo e criar condições de segurança. O discurso do medo anda nos antípodas do discurso da segurança. Não se podem praticar em paralelo. Seria a esquizofrenia discursiva e a descredibilização total.  O segredo passará por encontrar o discurso que torne todos mais responsáveis, mais adultos, mais auto-reguláveis. E como se faz?

4 Crescimento comprometido – O crescimento de uma grande maioria das empresas está comprometido. Os próximos tempos, senão anos, serão de salvação e de sobrevivência. Na maior parte dos casos e indústrias, sobreviver será a vitória. Isto implica que em condições normais tomemos a crise como uma constante. Como se interioriza no negócio uma crise em permanência?

5 Necessidades de tesouraria – Com o crescimento comprometido, a necessidade de assegurar tesouraria é absolutamente essencial. Isso implica reduzir custos, retirar gorduras, baixar rendimentos e assegurar a necessidade de liquidez. Se houve altura da história em que cash is king esta é uma delas. E mais à frente logo veremos se, com os créditos concedidos, não teremos também uma crise financeira e a banca com rácios de transformação incomportáveis e NPLs a mais. Indisponível, portanto, para nos assegurar tesouraria senão em condições incomportáveis. Como se mantém o negócio sem tesouraria e com liquidez comprometida?

6 Reinvenção da necessidade de propiciar experiência – Impossível não o considerar. O cliente/consumidor continuará interessado na experiência. Como fazer para a reinventar? Paradoxal, no mínimo. E de que experiência estaremos a falar?

7 Back to human basics – Finalmente, centrar o que se faz no essencial e oferecer ao homem pelo menos os básicos. A procura da sua essência será mais importante e decisiva que nunca e a formação irá desempenhar aqui um papel central, sobretudo na promoção do auto-conhecimento. Isto entronca, porém, numa necessidade de humanismo distante que estará por encontrar. Qual será a grande pedra de toque para que  voltemos a ser humanos?

Tudo junto e estaremos perante um mundo para o qual fazem falta novos skills, e fazer o reskilling de alguém demora hoje muito mais que no passado. Na proporção de 1 para 10 vezes mais entre passado (últimos 10 a 20 anos) e presente. Adicionalmente, será necessária uma profunda capacidade, também treinável, de gerir paradoxos e ambientes improvisados.

No final estas serão as grandes mudanças na forma de olhar para os negócios. Não há respostas. Ninguém sabe como fazer. Fomos apanhados pelo futuro de maneira não gradualista. Formas repetidas de incentivo à ousadia e à coragem são sempre bem-vindas. Serão sempre. Mas claramente não chegam.

As únicas certezas de hoje são aparentemente antagónicas. 1) Só juntos seremos mais fortes (La Palice). Mas como nos reunimos? E sob que mote? Vamos trabalhar em conjunto como? 2) Daqui para a frente só existirão estratégias emergentes. E, nesta matéria, voltaremos, então, à destreza de cada qual e ao seu individualismo?

Nunca o mundo me pareceu tão paradoxal.