Os desenvolvimentos políticos recentes nos Açores devem ser motivo de alerta e preocupação para todos quantos consideram desejável a existência de alternativas de governação não socialistas em Portugal.

Quando a actual solução governativa foi encontrada nos Açores escrevi aqui que, depois de António Costa ter recorrido em 2015 ao PCP e ao BE para chegar ao poder, o modelo açoriano de construir uma alternativa de governação liderada pelo PSD, com CDS e PPM, e com entendimentos parlamentares com IL e Chega, poderia estabelecer em definitivo um novo modelo de soluções governativas em Portugal. Modelo esse que estaria também mais em linha com o habitualmente praticado em países com sistemas eleitorais proporcionais como o português.

O alargamento desta possibilidade ao espaço político à direita do PS deve ser visto como natural e constitui a principal implicação nacional da solução governativa a que se chegou nos Açores. Num sistema partidário com crescentes sinais de fragmentação, a manutenção dessa possibilidade como exclusivo da esquerda constituiria um inequívoco e poderoso instrumento de perpetuação no poder para o PS. Não é por isso surpreendente que à esquerda a solução governativa actualmente implementada nos Açores seja vista com grande hostilidade e como um alvo prioritário a abater.

Tanto para o PSD como para o Chega seria positivo avançar para legislativas nacionais com o exemplo dos Açores como uma ilustração prática e operacional da possibilidade de construir plataformas mínimas de entendimento para formar uma alternativa de governação ao PS, mesmo partindo de posicionamentos substancialmente diferentes em muitos temas importantes. Nesse sentido, as declarações de Rui Rio de que abdicaria da possibilidade de governar caso tal implicasse um entendimento com o Chega foram pouco sensatas. Pior: considerando o precedente estabelecido nos Açores, as declarações de Rio foram também notoriamente inconsistentes.

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