A farsa é o que se sabe e tem-se repetido desde o tempo da primeira tentativa falhada de Guterres, então primeiro-ministro, ainda no século passado, quando o governo PS tentou vender a TAP à Swissair sem êxito. Antes disso, já se falara de Cavaco Silva ter pedido dinheiro emprestado à UE a fim de fazer face às sistemáticas perdas da TAP, a qual terá dado sempre prejuízo, mas não se falou então em vendê-la…

A primeira tentativa de venda do PS ficou pois pelo caminho devido à falência da Swissair há 25 anos. A partir daí, as coisas irão de falhanço em falhanço demonstrando a incapacidade do PS para se meter em altos negócios, sejam a vender ou a comprar. Ao invés, o último grande empreendimento estrangeiro veio felizmente cedo no início da primeira maioria absoluta de 50% do chefe do governo Cavaco Silva e ainda está a funcionar neste momento com uma considerável renovação industrial. É significativo aliás o êxito da fábrica da Outra Banda em comparação com os miseráveis falhanços dos alegados grandes financeiros nacionais e estrangeiros nos negócios de dinheiro que têm endividado o país sem recuperação desde a queda – sem castigo – do primeiro-ministro que se seguiu a Guterres, o Eng.º Sócrates que veio a ser forçado a declarar falência.

Quanto à recuperação da aliança PSD+CDS, pôs o país a crescer no último ano de «castigo», deixando a dívida pública praticamente no mesmo ponto em que agora o actual «leader» socialista que subiu ao «trono» ao dar o golpe constitucional de 2016, quando a dívida pública fora estancada em 2015 ao nível de 130 mil milhões graças à intervenção da chamada «troika». Quanto ao governo da «geringonça», nunca recuperou a dívida pública, a qual se elevou de 235,7 mil milhões de euros no final de 2015 para 272,4 mil milhões no final de 1922, tendo-se no entanto reduzido em percentagem do PIB de 131,2% para 114,4% devido à crescente inflação.

Entretanto, a primeira coisa de vulto publicitário que agitara o novo regime foi a nacionalização-à-revolucionária da TAP após o 25 de Abril e só depois de o Estado, ou seja, os contribuintes, a terem mantido financeiramente até a adesão à futura União Europeia, foi finalmente vendida completamente pelo Sócrates, antes mesmo de ser eliminado da governação (2005-11), a uma banda de aparentes oportunistas que se banquetearam com a TAP até serem despossuídos pela «troika» já no fim do mandato desta última (2011-15).

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A seguir, quem se apoderará imediatamente da TAP é, nessa altura, o novo governo do PS (de 2016 até hoje), logo que deu o trágico golpe da «geringonça» e declarou agora que iria, por seu turno, vender o que restava da companhia aérea a quem mais der, ou seja, quem mais perto estiver do núcleo socialista que se apoderou tragicamente da TAP com a lamentável complacência de um PR que não é capaz de estar calado… E são estes os actuais donos do país que mais desceu na escala da UE!

De tanto argumentar, prometer e não cumprir, um político como o actual líder do PS tornou-se um anunciante de televisão, como ainda esta semana, quando prometia na TV «aumentar o salário mínimo para 810€», uma outra peça jornalística afirmava simultaneamente que «o PIB da Roménia já ultrapassou o nosso»… Presume-se agora que António Costa, depois de se ter apoderado do brinquedo chamado TAP, se propõe recuperar algum do dinheiro que os contribuintes nacionais – nenhuns outros, presumo – perderam ao alimentar o mais caro dos brinquedos do governo oferecido pelo PS aos turistas – não ao Estado português e aos seus contribuintes – mas sim aos estrangeiros de quem fala tão demagogicamente quando lhe convém…

Nesta linha, a sucessão contínua de quase 30 anos seguidos de executivos socialistas desde o termo do último governo de Cavaco Silva (1985-1995), interrompido apenas pelas alianças de governo PSD+PP, nomeadamente com o apoio externo da chamada «troika» (2011-15), permitiu ao PS quasi-monopolizar o espaço sócio-económico do funcionalismo público e dos reformados (cerca de 3,5 milhões de votantes), bem como as classes profissionais independentes e qualificadas, já de si mais mobilizadas; a divisão populacional norte-sul de base religiosa; a incerteza dos estudantes de fim-de-curso entre partidarização e desmobilização; o afastamento quase completo dos alegados «estrangeirados»; resultaram todos eles num escasso conjunto de 50% de eleitores efectivos (Costa teve pouco mais de 40% desses escassos votos… e é a isso que chamam «maioria constitucional»).

Houve quem duvidasse, perante algo que escrevi a este respeito, que a guerra da Ucrânia tenha estado a pesar cada vez mais nas finanças do mundo inteiro, seja de um lado ou do outro. Estando já contabilizadas as centenas de milhares de milhões de € devastados na guerra e tendo em conta todas as perdas humanas e materiais das vítimas de um e do outro lado, já é suficiente para pesar na economia mundial. Acrescentando o que se sabe (e não sabe) acerca das perdas desta guerra, não há qualquer dúvida acerca do seu preço, seja para as vítimas ou para os seus causadores.