Maioria de Esquerda

A frente de esquerda continua a atacar a iniciativa privada /premium

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Como mostra a história, os ataques à iniciativa privada nunca param no “grande capital.” Chegarão fatalmente a todos os portugueses que queiram criar riqueza fora da alçada do Estado.

Durante a semana que passou, três acontecimentos mostraram como a frente de esquerda que nos governa não gosta da iniciativa privada. Como já se esperava, o governo decidiu acabar de vez com a parceria com um grupo privado – no caso, a José de Mello Saúde – na gestão do Hospital de Braga. Portugal é um país estranho, onde não se faz tudo o que é possível para manter o que corre bem. O Hospital de Braga tem sido considerado nos últimos anos como o melhor em Portugal e o que menos custa aos contribuintes. Num país onde o interesse dos doentes – e, já agora, dos contribuintes – estivesse em primeiro lugar, mantinha-se o modelo de sucesso. Mas, para o nosso governo, mais importante do que os doentes ou do que os contribuintes são os dogmas ideológicos e a necessidade de agradar ao Bloco de Esquerda e ao PCP. Decidiu, assim, na última sexta-feira, não abrir novo concurso e acabar de vez com a gestão privada do hospital. Os portugueses – e particularmente os doentes da região de Braga – são vítimas do radicalismo ideológico das esquerdas que nos governam.

O segundo acontecimento foi a publicação do relatório preliminar da CPI às “rendas excessivas” na eletricidade. Aliás, é espantoso como uma Comissão de Inquérito parlamentar adopta o nome do possível problema – “rendas excessivas” – que se propõe investigar. Na verdade, a dita Comissão não fez uma investigação, transformou-se num comité de julgamento da EDP. As “rendas excessivas” nunca foram um problema quando a EDP era uma empresa estatal ou com capitais públicos. As rendas só se tornaram “excessivas” quando a EDP se tornou uma empresa privada, sem a participação do Estado português. Para a frente de esquerda – e para o relator Jorge Costa, do Bloco de Esquerda – o problema não são as rendas nem o preço da eletricidade. O que os incomoda é o sucesso e os lucros de uma empresa privada que se tornou numa referência global no sector das energias renováveis. Nada incomoda mais as esquerdas radicais do que o triunfo do sector privado. Quando há uma preocupação com a natureza precária de muitos empregos, ninguém fala da qualidade do trabalho criado por uma empresa como a EDP, que beneficia milhares de portugueses.

Por fim, as esquerdas indignaram-se com a publicação de um estudo do Instituto de Ciências Sociais (uma instituição pública), com o financiamento da Fundação Francisco Manuel dos Santos. Eis o pecado mortal, um estudo sobre a segurança social pago com dinheiro privado. Qualquer pessoa pensaria que a Fundação e o ICS teriam contribuído – e bem – para a discussão pública de um tema importante: o futuro da segurança social e das pensões dos portugueses. Por um lado, a esperança de vida aumentou – e com isso o tempo de reforma. Por outro lado, a nossa sociedade está a envelhecer, diminuindo assim a população activa. Esta combinação cria um problema sério, de resto reconhecido por quase todos. A Fundação FMS e o ICS apresentam propostas pensadas e bem-intencionadas, uma delas o aumento da idade da reforma para os 69 anos, tema discutido em quase todos os países europeus – e são atacados por pretenderem “privatizar” a segurança social. As nossas esquerdas não são apenas radicais. Também são completamente disparatadas. Além disso, mostraram mais uma vez a sua habitual intolerância em relação ao debate livre.

O ataque a grandes empresas portuguesas, como a EDP, a José de Mello Saúde e o Grupo Jerónimo Martins, é o ponto que une os três acontecimentos. As esquerdas gostam de apresentar estes casos como ataques ao “grande capital” e aos “privilégios dos capitalistas”. Os portugueses cometem um enorme erro se aceitarem a propaganda anti-capitalista das esquerdas. A prazo, os grandes derrotados destas políticas serão os portugueses. Os doentes de toda a região de Braga, os trabalhadores da EDP e os futuros pensionistas. Mas, como mostra a história, os ataques à iniciativa privada nunca param no “grande capital.” Chegarão fatalmente a todos os portugueses que queiram criar riqueza fora da alçada do Estado.

Os ataques das esquerdas revelam uma visão para Portugal onde o Estado é o princípio e o fim da economia, o grande controlador da nossa vida. Mas o Estado não é uma entidade abstracta e cresce muito para além das suas funções essenciais. Cresce com um objectivo: criar empregos para os militantes dos partidos das esquerdas e para os amigos e familiares de quem está no governo. O governo da frente de esquerda apropria-se de uma parte substancial dos recursos do sector privado (também há quem lhes chame impostos) para criar postos de trabalho no Estado para os militantes do PS e, agora, do Bloco (o PCP por enquanto satisfaz-se com os sindicatos e com as suas autarquias). É esta visão da sociedade que une o relator da CPI, a ministra da Saúde e o ministro do Trabalho. Uns serão mais radicais e outros mais moderados. Mas todos eles acham que o Estado deve comandar a vida dos portugueses. Teremos a sorte, no período eleitoral que se aproxima, de ouvir outros partidos a defenderem uma visão alternativa para Portugal? Uma visão onde o Estado não comanda, mas serve os portugueses garantindo a sua liberdade para criar riqueza? Será que ainda há algum político em Portugal que acredite que podemos ser um país rico e não apenas remediado?

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