1 Já tudo terá sido dito sobre as eleições autárquicas da semana passada. Não sendo eu comentador político, e nada sabendo sobre sondagens, não creio que possa ou deva tentar acrescentar alguma coisa ao que já foi dito.

Em contrapartida, do ponto de vista da Teoria Política — que é a minha humilde e, para muitos, algo extravagante área académica —, não hesito em acrescentar alguma coisa: em meu entender, os eleitores deram uma clara lição democrática ao clima crescentemente tribal que estávamos a viver. Nestas eleições, a principal mensagem dos eleitores foi uma vincada lição de democracia liberal: não aos tribalismos, sim ao equilíbrio e à moderação.

2 Em primeiro lugar, os eleitores claramente reafirmaram a marginalidade dos partidos extremistas como o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista e o chamado Chega (uns contra os ‘capitalistas’, outro contra os ‘ciganos’).

Em segundo lugar, e simultaneamente, os eleitores reafirmaram que a nossa democracia liberal continua a assentar sobretudo e muito saudavelmente na concorrência civilizada entre centro-direita e centro-esquerda. Tem sido felizmente assim desde o 25 de Novembro de 1975 — de Mário Soares, Sá Carneiro, Adelino Amaro da Costa e Aníbal Cavaco Silva.

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