A palavra bolha tem-me saltado à vista nos últimos tempos. E não, não se trata de um qualquer jogo de telemóvel para entreter tempo, nem sequer daqueles plásticos de embalar que são também anti-stress. A coisa é séria. Muito séria. É a bolha do imobiliário. É a bolha do turismo. É a bolha das tecnológicas. São uma série de bolhas que parecem estar a encher a grande velocidade. E o problema das bolhas é que nunca sabemos quando rebentam. Mas quando isso acontece, é com estrondo.

De uma coisa ninguém se pode queixar. Da falta de avisos. E eles já não vêm dos habituais pessimistas de serviço. Já não temos, infelizmente, Medina Carreira. Vêm de quem conhece o mercado. De quem tem autoridade para falar dos temas. Sobre a loucura dos preços da habitação foi o próprio Banco de Portugal e a UE a fazerem os alertas. Sobre o boom turístico são os responsáveis hoteleiros a tocar os alarmes. Sobre a febre das startups tecnológicas há artigos de especialistas internacionais desde 2015.

Os sinais estão todos à vista. Estamos num virar de página. Depois da bonança, vem a tempestade. É sempre assim. Sabemos que vai acontecer, apenas não sabemos bem quando. Os bons ciclos são exatamente isso: cíclicos. Está nos livros.

Dez anos depois do Lehman Brothers, em que todos, mas todos, os alertas foram ignorados, até que tudo se desmoronou na tragédia que se sabe. Depois do preço elevadíssimo que pagámos por tantos terem feito ouvidos de mercador. É como se ninguém tivesse aprendido nada.

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