Eleições Europeias

Eleger ou não eleger, escolhereis a abstenção /premium

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Uma vez que a posição de Portugal no panorama europeu é sempre de mão estendida seria óptimo que os nossos representantes fossem os políticos com mais resistência ao nível dos membros superiores.

Consta que algo vagamente parecido com isto terá sido dito pelo Príncipe da Dinamarca. E o eleitor de Portugal foi sem dúvida a inspiração para essa tirada histórica do célebre escandinavo. Aliás, todo o processo democrático parece despertar tanto interesse no votante lusitano como no aspirante a monarca nórdico. O que no caso do eleitor português não se percebe. A partir das eleições europeias de domingo ir votar é muito mais fácil. A juntar aos candidatos entusiasmantes, deixou até de ser necessário ter Cartão de Eleitor. Basta possuir Cartão de Cidadão. Finalmente acabou aquela maçada de ter de ir à Junta de Freguesia, apresentar um comprovativo de morada e perder uma ou duas horas até o assunto ficar resolvido. Segundo notícias desta semana, agora basta perder um ou dois dias nas filas de espera da Loja do Cidadão para tirar ou renovar o cartão ou, em alternativa, um ou dois meses caso opte pelo atendimento com agendamento.

Isto exactamente na altura em que o Governo de António Costa anunciou que é possível renovar o Cartão do Cidadão em 5 minutos. É o velho problema dos primeiros-ministros socialistas com os números. António Guterres tinha dificuldade com o número 6. Ficou para a história o célebre “É fazer as contas” quando lhe perguntaram quanto era 6% do PIB. José Sócrates teve uma malapata com o número 4. Desde logo quando se percebeu que gastava 4 vezes mais do que ganhava como primeiro-ministro e posteriormente quando ingressou no Estabelecimento Prisional de Évora envergando o dorsal 44. E agora é António Costa que revela problemas com o número 5 nesta história do Cartão do Cidadão em 5 minutos. Quer dizer, talvez a questão não seja tanto o algarismo em si mas a unidade de medida de tempo escolhida. Na verdade substituindo “minutos” por “quadrimestres” a coisa já se aproxima muito mais da realidade.

Voltando às eleições europeias propriamente ditas considero que os debates não têm sido nada esclarecedores. Aliás, os portugueses escolheriam os seus deputados ao Parlamento Europeu de forma muito mais informada se em vez de os ouvirem falar os vissem a disputar um torneio de braço-de-ferro. Uma vez que a posição de Portugal no panorama europeu é sempre de mão estendida seria óptimo que os nossos representantes fossem os políticos com mais resistência ao nível dos membros superiores. Para aguentarem ali, a legislatura inteirinha, a pedinchar forte e feio ao BCE. Mas atenção. Mesmo que não vencesse a competição de braço-de-ferro, o cabeça de lista do Movimento Alternativa Socialista, Vasco Santos, teria lugar garantido em Estrasburgo: também dá sempre jeito termos lá na Europa um representante que se assemelhe ao máximo com alguém a quem não hesitaríamos dar umas moedas no metro.

Ainda assim é bom que a discussão dos corriqueiros assuntos europeus não nos faça esquecer os grandes temas nacionais. Nomeadamente a problemática das passadeiras LGBTI+ em Lisboa. Depois da Junta de Freguesia de Campolide ter pintado as passadeiras com as cores do arco-íris, o Presidente da Prevenção Rodoviária, José Miguel Trigoso, veio dizer que as passadeiras LGBTI+ não são passadeiras e que os condutores não são obrigados a respeitá-las. É um escândalo! Nunca imaginei que em pleno 2019 ainda houvesse pessoas capazes de discriminar passadeiras desta forma. Só porque estas passadeiras têm uma opção cromática diferente da maior parte das passadeiras. As passadeiras coloridas não estão a tentar impôr a sua coloração às outras passadeiras. As passadeiras LGBTI+ querem apenas poder assumir livremente a sua natureza colorida sem serem vítimas de preconceitos. Felizmente a Junta de Freguesia de Campolide já está a preparar uma nova campanha de sensibilização para este problema. Em solidariedade para com as passadeiras LGBTI+ todos os semáforos da freguesia vão passar a controlar o trânsito, não através do tradicional e retrógrado esquema de três cores, mas fazendo uso da inclusiva paleta de tons do arco-íris.

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