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A última vez que consultei a Constituição portuguesa, notei que ela define Portugal como uma democracia representativa. Não é uma democracia directa. Os portugueses elegem deputados, que representam partidos políticos e o governo é legitimado pelo parlamento (como sabe muito bem a geringonça). A tentativa do PS de separar o partido dos actos Sócrates como PM constitui uma falta de respeito flagrante pelo espírito da Constituição.

Sócrates foi PM porque era líder do PS, não chegou a São Bento como o cidadão José Sócrates. Os governos que chefiou, um deles com maioria absoluta, foram executivos socialistas. E quando chegou à liderança do partido, não era um desconhecido. Era deputado desde os anos de 1980, e tinha sido ministro do governo de Guterres. Toda a gente no PS o conhecia. Nenhum PM do PS, os antigos e o actual, se comportou como Sócrates. Mas a verdade é que se não fosse o PS, Sócrates não teria feito o que agora “envergonha” os seus antigos camaradas, e o que, nas palavras do PM, “desonra a nossa democracia.” Numa democracia representativa, esse é o ponto central e não podemos permitir que o PS fuja das suas responsabilidades, colocando as culpas em Sócrates e tratando o partido como uma vítima. Nas ditaduras é que se resolvem problemas de abuso de poder e de corrupção culpando o líder. Nas democracias representativas, os problemas não começam nem acabam no líder.

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