Este ano culminou numa grande festa, há algum tempo esperada: o casamento de um dos meus melhores amigos. Não imagino melhor desfecho para este tempo de Natal e de fim de ano do que poder testemunhar a união de duas pessoas que se amam muito, querem fundar uma família e viver a vida ao lado um do outro.

Ele é meu amigo há quase duas décadas e ela entrou na minha vida pela mão e pelo coração dele. Um e outro são pessoas admiráveis. Fascinantes na alegria, na ternura, na simplicidade, na generosidade, no acolhimento e na cumplicidade com que fazem suas as pessoas e as coisas que até aqui eram apenas de cada um. Falo das famílias e dos círculos de amigos, mas também das rotinas, dos objetos e peças que compõem uma casa que se partilha.

Ele teve um grande acidente quando ainda era adolescente e, num instante, toda a sua realidade mudou. Nada do que ele foi até ali continuou a ser como era. Passou meses em hospitais, foi submetido a cirurgias e terapias, fez longas recuperações no Alcoitão e saiu de tudo isto inteiro e vertical, apesar de ter ficado tetraplégico.

Quando digo vertical estou a usar a metáfora que mais se lhe aplica, pois embora tenha deixado de poder caminhar pelo seu pé e viva sentado numa cadeira de rodas, continua a ser uma das pessoas mais verticais e livres que conheço. Chego a esquecer-me que não se levanta sozinho da sua cadeira e raramente me lembro que depende de terceiros para quase tudo, tal é a sua atitude na vida.

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