O que aconteceu em Portugal nos últimos quase três anos é a todos os títulos extraordinário. Uma reviravolta de 180 graus, desmentindo todas as previsões baseadas em tendências e tornando a realidade muito mais interessante do que qualquer ficção. O que se passou recomenda ainda mais prudência nas antecipações que se queiram fazer do futuro. Ou, como se aconselha a quem faz previsões económicas, se é preciso fazê-las, que se façam muitas, já que alguma acertará.

Há dois aspectos especialmente interessantes: um, já bastante debatido, é o que diz respeito aos resultados económicos e financeiros. O outro é a alteração significativa das avaliações que partidos como o PCP e o BE fazem de acontecimentos que teriam provocado criticas sem dó nem piedade no passado. Tudo isto se deve obviamente ao perfil do primeiro-ministro António Costa, à convergência de interesses com o PCP e o BE e, mais importante ainda, a uma elite política e económica ameaçada na era de Pedro Passos Coelho.

Podemos dizer que a trajectória económica é menos boa do que o desejável, ou mesmo do que seria possível com outra política económica – nunca o saberemos, especialmente porque o enquadramento político e social seria muito diferente se o PSD e o CDS tivessem sido Governo. Um dos objectivos indiscutivelmente atingido, com a aliança do PS ao PCP e ao BE, foi a estabilidade, não apenas na governação – obtida já com Aníbal Cavaco Silva e José Sócrates – mas – e essa é a excepção – na sociedade. Os números que temos para ilustrar essa estabilidade estão, por exemplo, nas greves.

Em 2016, últimos dados disponíveis de acordo com a sistematização feita pela Pordata usando dados do Ministério do Trabalho, atingimos nesse ano o número mínimo de trabalhadores em greve (sete mil). O número de paralisações pode dizer-se que estabilizou – mais uma do que em 2015.

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