O discurso medíocre de vitória de Pedro Nuno Santos, cheio de hostilidade e praticamente vazio de conteúdo em ideias e propostas concretas de políticas públicas para resolver os problemas do país, sintetizou bem as fragilidades da nova liderança do PS.

Pedro Nuno Santos precisa claramente de melhor preparação. O carisma e a boa imagem que inegavelmente tem são importantes em política mas não chegam, especialmente quando se carrega uma  experiência de governação muito pouco recomendável. Será também importante para o novo líder do PS conseguir reunir em torno de si uma equipa credível e que consiga suprir as suas próprias lacunas e atenuar a sua conotação com a esquerda mais radical. Equipa essa que precisa ir bem mais além de uma mão cheia de figurões da “ala moderada” do PS que deram o dito por não dito e se colaram à (previsível) vitória do camarada Pedro na expectativa de se manterem na esfera do poder.

Depois de Costa ter avançado para a geringonça por oportunismo, o PS elege agora um líder que acredita genuinamente que o partido deve estar ao lado da esquerda radical e da extrema-esquerda. Será fundamentalmente isso que vai estar em jogo em Março. Aliás, Pedro Nuno Santos construiu toda a sua trajectória política dentro do PS assente na proximidade com a esquerda radical, e em particular com o Bloco de Esquerda. Uma proximidade que ajuda a compreender também as tentativas de Pedro Nuno colar o PSD ao CH para procurar ocultar ou relativizar a sua própria disponibilidade e vontade de colocar o PS a governar com a esquerda radical.

Importa aqui recordar que quando em 2011 fez o célebre discurso no qual prometeu literalmente colocar as pernas dos banqueiros alemães a tremer, Pedro Nuno Santos já era bem mais do que uma jovem promessa socialista: era deputado e vice-presidente da bancada do PS. Vale a pena recordar as palavras de Pedro Nuno Santos:

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“Pedro Nuno Santos disse sábado à noite que se estava a “marimbar para o banco alemão que emprestou dinheiro a Portugal nas condições em que emprestou”. Pedro Nuno Santos, que falava no jantar de Natal do PS de Castelo de Paiva, defendeu que Portugal deve suspender o pagamento da dívida. Se isso acontecer, diz o deputado, “as pernas dos banqueiros alemães” ficarão a tremer. “Estou a marimbar-me que nos chamem irresponsáveis. Temos uma bomba atómica que podermos usar na cara dos alemães e franceses. Essa bomba atómica é simplesmente não a pagarmos”, disse Pedro Nuno Santos no passado sábado.”

Além do radicalismo em matéria de finanças públicas e cumprimento das obrigações internacionais do país, seria também interessante e pertinente  questionar Pedro Nuno Santos sobre se admite governar sustentado por qualquer tipo de acordo com forças partidárias que se opõem à NATO – cada vez mais importante para a defesa de Portugal e da Europa – e estão alinhadas com a Rússia no âmbito da política externa.

Para a oposição à direita, e em especial para o PSD e para Luís Montenegro, Pedro Nuno Santos tem a vantagem de não conseguir esconder ao que vem: nas próximas legislativas vai a votos o PS mais radicalizado de sempre. Neste contexto, o PSD deverá maximizar a aposta no apelo ao voto útil do eleitorado moderado, incluindo muitos eleitores de centro e centro-esquerda que terão legítimas razões para temer um governo liderado por Pedro Nuno Santos.