Uma das mais extraordinárias características da actual situação partidária em Portugal é que o PS consegue ser, simultaneamente, governo e oposição. De facto, apesar de estar ininterruptamente no governo já desde 2015 e de nas últimas três décadas ter sido o partido inequivocamente dominante no país, o PS consegue ainda assim assumir-se publicamente como a principal força de oposição a si mesmo. Um fenómeno que se manifesta de variadas formas.

Atente-se por exemplo na recente manifestação organizada por movimentos de esquerda supostamente em protesto contra a crise na habitação em Portugal. Na manifestação, os cartazes tinham por alvo os ricos, os senhorios e, claro, Carlos Moedas, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa desde 2021 e provável futuro líder do PSD. Mas, naturalmente, não visavam os anteriores Presidentes da Câmara de Lisboa (do PS), nem a Ministra da Habitação, nem o Primeiro-Ministro.

Espantosamente, o deputado socialista (e secretário-geral da JS) Miguel Costa Matos declarou enfaticamente o seu apoio aos manifestantes:

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