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Estas eleições seriam sempre para a direita perder. Mesmo com líderes catitas e apreciados pelo seu eleitorado. Porém, não precisávamos de estar neste estado de pré-calamidade a ver se PSD e CDS têm os piores resultados de sempre ou se conseguem escapar com mais 2 ou 3%. Afinal António Costa é muito pouco gostado – mesmo se conseguir uma maioria absoluta, ficará pelos 40% de votos ou um bocadinho menos.

Verdade: PSD e CDS até poderão beneficiar de algum voto útil anti maioria absoluta – porque votar nas novas agremiações à direita, cada uma mais suspeita que a outra, é tirar votos a quem pode eleger deputados (PSD e CDS). Em todo o caso, convém darmos uma volta pelos equívocos em que a direita se passeou até aqui.

Primeiro equívoco. Não se perceber que o país cresceu, o desemprego baixou, as contas públicas continuaram controladas. Quem está num partido tende a residir numa bolha desfasada da realidade, e os apoiantes trauliteiros das redes sociais são um primor de sectarismo. Mas os partidos à direita andaram e andam por aí aos gritos como se estivéssemos à beira de um abismo. Primeiro gritaram que vinha o diabo. Depois, austeridade (sim, e então? Toda a gente sabe e está habituada há dez anos pelo menos). A seguir que o PS destruiu os serviços públicos – que dantes, sugerem, funcionavam com eficácia de relógio suíço.

O PS não fez reformas? Vamos acender incensos para louvar os deuses. Quem é que queria que o PS fizesse reformas com o apoio do BE e do PCP? Esteve quieto (quase sempre) a regar as contas públicas e foi o que fez melhor.

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