Poupar mais, aumentar a natalidade, aprender a liderar e organizar e uma profundíssima reforma do Estado (sim, a expressão já enjoa, mas o problema continua lá) que melhore os serviços públicos e seja mais justa nos salários. Estas são as medidas que precisávamos de adoptar. Algumas, como actuar no Estado, são muito difíceis. Outras nem tanto. O problema é que nada disto é suficientemente apelativo para dar votos.

Quando olhamos para os grandes números do país, o maior problema é este: temos pouca poupança para tanta dívida e tanto envelhecimento da população. É uma bolha que vai rebentar sob a forma de empobrecimento, mesmo que apenas relativo ao resto do mundo. O Governo gosta de mostrar que temos crescido acima da média europeia. Claro que é bom. Mas o pior é que temos outros países, que eram mais pobres do que nós, a crescerem mais depressa e alguns a ultrapassarem-nos. Estamos a crescer, mas não o suficiente. Além disso, o nosso crescimento está neste momento demasiado dependente da capacidade de continuar a atrair turistas – o que, sem que se queira ser pessimista, não está garantido. O Algarve, por exemplo, está com menos turistas este ano do que em 2018.

Temos de poupar para pagar a dívida e porque não haverá pessoas suficientes a trabalhar para pagarem as pensões dos que se vão ainda reforma. Só isto seria suficiente para que uma das prioridades da política pública fosse aumentar a poupança. Na ausência de taxas de juro positivas, por via de uma política monetária que tenta a todo o custo evitar que a economia entre em recessão no euro (e nos Estados Unidos), não podemos contar com isso para se poupar. Mas os governos ainda têm meios, por via da política orçamental, para incentivar a poupança. Uma revisão dos benefícios fiscais bem podia criar incentivos significativos à poupança. E esta poderia ser uma via de reduzir o IRS e até o IRC, mas com um objectivo de política macroeconómica.

As outras duas mudanças de que precisamos, no Estado e na liderança e organização, são mais difíceis, mas não impossíveis.

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