Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Em França, a revolução sai à rua; em Espanha, entrou, por enquanto, num parlamento regional. Os apelos do costume já não funcionam: nem o medo do “caos”, com que o presidente Macron tenta assustar os franceses; nem o medo do “fascismo”, com que as esquerdas até hoje se habituaram a inibir as direitas. Em Espanha, vamos talvez descobrir que “geringonças” há muitas; em França, que quando o poder se propõe pôr os cidadãos “em marcha”, os cidadãos às vezes marcham mesmo, mas não necessariamente segundo a vontade do poder.

Há três erros que podemos cometer em relação aos “coletes amarelos”. O primeiro é contemplar tudo como um problema simplesmente francês. Não é. A União Europeia é uma aliança franco-alemã. Para que possa haver UE, é necessário que a Alemanha e a França funcionem.  Há quinze anos, a Alemanha reformou-se para competir nos mercados globais. Não resolveu todos os seus problemas, mas resolveu alguns: tem excedentes e emprego. A França, pelo contrário, não fez reformas. É o país dos défices e do desemprego. A questão é saber se a Alemanha, onde a validade de Merkel expirou entretanto, está disposta a ser o Atlas que carrega o vizinho aos ombros. Nas ruas francesas, joga-se o destino da UE.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.