Fogo de Pedrógão Grande

“Há bombeiros no terreno que estão sem SIRESP porque não funciona”

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O presidente da Associação de Bombeiros Profissionais insiste que só a falta de comunicação justifica a dimensão da tragédia na chamada "estrada da morte". Considera "assustadoras" falhas no SIRESP.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

 

Depois de tudo o que se passou, há equipas que ainda estão no terreno e não estão a utilizar o SIRESP — Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal. O presidente da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP), Fernando Curto, afirma ao Observador que é “assustador e anormal, mas neste momento há bombeiros, como algumas equipas de sapadores de Lisboa, que estão no terreno e que estão sem SIRESP, porque ele não funciona.”

Fernando Curto considera “preocupante” esta situação porque é esta rede que garante que “todos os agentes estão em comunicação“. E volta a apontar para a influência que a falha do SIRESP pode ter tido na morte de 47 pessoas na EN-236, a chamada “estrada da morte“. Para o presidente da ANBP, o comando teria informação de que a estrada “estava no perímetro do incêndio” e não terá conseguido comunicar com quem estava no terreno (GNR e bombeiros) para tentarem evitar que as pessoas fossem para ali encaminhadas.

O comandante, no posto de comando, tinha de ter a informação que aquela estrada estava no perímetro do incêndio, que ela não tenha chegado em tempo útil só pode ter-se dado devido a uma falha de comunicação“, explica Fernando Curto.

O presidente da ANBP diz que o SIRESP “sempre falhou” e garante, por exemplo, que “em Vila Nova de Gaia não funciona o SIRESP”. Fernando Curto não quer fazer previsões. “Não vou dizer que se não houvesse falhas no SIRESP, não havia mortes naquela estrada. Mas se pessoas foram encaminhadas para uma estrada supostamente segura, que era perigosa, é porque houve falhas de comunicação“, acrescentou. O comandante dos Bombeiros Voluntários de Avintes, José Pereira, porém, garante que a “rede SIRESP funciona, como aliás sempre funcionou no concelho [de Vila Nova de Gaia]”.

Quanto às redes redundantes, Fernando Curto diz que não substituem o SIRESP, que considera “imprescindível para a comunicação entre as várias entidades”.

Artigo atualizado a 23 de junho com declaração do comandante dos Bombeiros Voluntários de Avintes, que garante que a rede SIRESP funciona e sempre funcionou em Vila Nova de Gaia.

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