1. A abstenção vai ser a maior de sempre?

Em 2009, Portugal foi o quarto país da União Europeia onde a abstenção foi maior (63%). Mas não é só em Portugal que a abstenção nas eleições europeias é a mais alta de todos os sufrágios e gera preocupação. Por toda a Europa, desde 1979, data das primeiras europeias, que a participação tem decrescido em todos os atos eleitorais.

As sondagens apontam de novo para um aumento generalizado da abstenção em todos os países da União Europeia. Em 2009, a nível europeu, 57% dos eleitores não foram às urnas. O Le Figaro prevê que, esta noite, se atinjam valores próximos dos 60%. Para já, os dados apontam para uma participação abaixo dos 20% na República Checa e perto dos 13% na Eslováquia, enquanto que ao meio-dia (hora local) a participação rondava os 15% em França – uma surpresa, porque estava a essa hora um pouco acima do nível registado em 2009.

2. Os partidos eurocéticos vão subir?

De acordo com as projeções, os partidos eurocéticos deverão conseguir um terço da votação em países como a França, a Itália e o Reino Unido, conseguindo ainda duplicar o seu número de votos na Grécia, Polónia, Áustria, Finlândia e Dinamarca.

Ao todo, deverão ser 16 os países que elegerão deputados com visões eurocéticas, o que significa que ocuparão perto de 15% do Parlamento Europeu (115 dos 751 lugares), o dobro do que obtiveram em 2009. As projeções, contudo, foram contrariadas nos Países Baixos, onde o eurocético PVV perdeu um deputado em vez de ganhar dois, como era esperado. Só a noite dirá se foram sobrevalorizados – ou se a Europa passa a ter protagonistas mais fortes, como estes a que o Observador esteve atento na última semana.

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3. O bipartidarismo vai a exame. e passa?

Tal como em Portugal, cujo arco de governação é dominado pelos dois maiores partidos, PS e PSD, também pela Europa há vários países onde o sistema bipartidário é comum e estará em votação nestas eleições.

Em Espanha, por exemplo, tanto o El Mundo como o El País destacam o sufrágio europeu como um “exame ao bipartidarismo” do PP e do PSOE, as forças políticas que se têm sucedido no poder desde a instituição da democracia no país. “Todas as sondagens detetam uma fadiga do bipartidarismo”, lê-se no El Mundo.

Mas se em Portugal e Espanha o exame não parece dar lugar a partidos dos extremos, há casos na Europa em que essa é a questão central das europeias.

Em França, o PS (de Hollande) e a UMP (de Sarkozy) poderão ser derrotados pela extrema-direita da Frente Nacional, de Marine Le Pen, de acordo com as sondagens. Em Itália, o partido de Berlusconi Forza Italia deverá ser ultrapassado pelo Movimento 5 Estrelas, de Beppe Grillo, que poderá mesmo disputar a vitória com o Partido Democrático. Em Inglaterra, o UKIP sobe em todas as sondagens, disputando a vitória e destruindo o sistema que já foi o mais bipartidário da Europa. Ou seja, partidos até agora pequenos poderão desempenhar um papel importante nestas eleições.

4. com mais cadeiras para eurocéticos, como é que se fazem consensos em bruxelas?

É uma das grandes dúvidas destas eleições. As sondagens apontam para uma vitória do Partido Popular Europeu, de centro-direita, mas o Partido Socialista Europeu deverá ficar a escassos 16 lugares de distância, o que não fornece grandes certezas sobre os resultados reais. Com os partidos eurocéticos ainda sem um grupo parlamentar organizado, mas com outra força política, a grande questão dos próximos meses é como vai ser negociada a legislação comunitária em Bruxelas e Estrasburgo.

Dito de outra forma: com o Parlamento Europeu mais fragmentado do que nunca, o PPE vai procurar os votos de quem para fazer maioria? Dos conservadores (onde está David Cameron, por exemplo)? Ou dos Liberais? E o PSE, fará acordos com quem? Com os Liberais ou com a Esquerda Unida, onde estão o Syriza (da Grécia) e o Bloco de Esquerda português? Ou, ao invés, os dois ‘grandes’ partidos europeus vão juntar-se mais do que nunca?

5. Como vai ser a eleição do novo Presidente da Comissão Europeia?

Durão Barroso está de saída da liderança da Comissão Europeia. As novas regras do Tratado de Lisboa abrem espaço para que, pela primeira vez, o líder da Comissão seja escolhido “tendo em conta os resultados eleitorais”. Ou seja, em teoria o grupo político europeu que hoje vença, deveria indicar o nome para o posto: Martin Schulz (PSE) ou Jean-Claude Juncker (PPE).

A dúvida é saber se, com resultados tão próximos, as duas maiores forças políticas se entendem para chegar a um nome comum ou se as interpretações dos resultados eleitorais divergem. Um dado adicional, para complicar mais: é o Conselho Europeu que propõe um nome para Presidente da Comissão ao Parlamento, o que significa que são os chefes de Governo dos 28 a ter a primeira palavra. Mas o nome só é definitivo se for aprovado pelos eurodeputados. No limite, isto significa que poderá ser escolhido um novo nome, que agrade a todos. E esse processo pode demorar meses a fechar, colocando a Europa numa situação pantanosa.

6. Como é que se aguentam os governos dos países sob assistência

Já agora, uma curiosidade: com a crise económica e financeira a marcar várias campanhas eleitorais, mas com a economia da zona euro finalmente a iniciar uma recuperação, como é que os governos que estiveram ou estão sob ajuda financeira da UE vão aguentar nas urnas? E como é que os países que os financiaram aguentam a pressão dos populistas ou dos eurocéticos? Hoje é dia para um primeiro teste.

7. Mais complicado ainda: como votam as regiões com ambições separatistas?

Há dois exemplos que é preciso seguir durante a noite: a Escócia, que tem referendo sobre a independência marcado para setembro; e a Catalunha, que continua com ambiente político tenso. São duas regiões cujos caminhos também se vão definindo nestas eleições.