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As redes sociais servem para comunicar e para ocupar o tempo, mas por vezes surgem discussões nobres sobre temas globais. Na última semana apareceu uma tendência no Twitter que está a ganhar cada vez mais importância. O assunto é a violência sobre as mulheres, o conteúdo é a experiência pessoal de dezenas de milhares de mulheres em todo o mundo que relatam situações de abuso e de um duplo padrão face aos homens.

Sob o agregador #YesAllWomen, na forma de hashtag no Twitter, a discussão põe o dedo na ferida das disparidades sociais entre homens e mulheres, abordando situações de violência mas também de diferenças salariais, de oportunidades de carreira e de direitos sociais e políticos. É o resumo de uma luta por igualdade de direitos e oportunidades que vai muito para além das causas tradicionais do feminismo, e que é ainda hoje considerado pelas Nações Unidas como um dos maiores problemas a nível global.

A história do surgimento da hashtag é simples de explicar. Na passada sexta-feira um jovem de 22 anos matou seis pessoas na cidade californiana de Santa Barbara. Antes do tiroteio o jovem publicou um vídeo online onde prometeu vingar-se de todas as raparigas, por nunca lhe terem dado atenção, e dos rapazes mais populares, por terem uma vida que ele nunca teve. O autor do tiroteio suicidou-se logo a seguir. O conteúdo do vídeo e as motivações do jovem, perpetuadas num manifesto auto-biográfico que explica detalhadamente o seu ódio em relação ao sexo feminino, geraram uma onda de revolta no Twitter. Primeiro protagonizada por homens, depois por mulheres.

#NotAllMen foi a primeira hashtag a surgir depois do incidente na Califórnia. O conteúdo que aparece é maioritariamente partilhado por homens, que pretendem mostrar que nem todos os homens pensam como o jovem que matou seis pessoas na sexta-feira, mas que compreendem o porquê de as mulheres adotarem automaticamente uma postura defensiva em determinadas situações.

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Em resposta, surgiu a hashtag #YesAllWomen, que rapidamente se tornou viral a nível internacional, e cujo grande propósito é a denúncia de histórias de inseguranças, medos e abusos que retratam o quão difícil é ser mulher. A leitura torna-se incómoda devido ao peso das acusações, mas será também fundamental para se perceber os problemas que uma mulher enfrenta no mundo. Os exemplos que se seguem são apenas alguns dos milhares que estão a ser acrescentados diariamente:

Pode seguir a tendência no twitter aqui.