A eurodeputada Ana Gomes enviou esta quinta-feira uma carta ao presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, a pedir que fiscalize alegadas irregularidades no Grupo Espírito Santo (GES). E “não só”, lê-se no documento a que o Observador teve acesso. Ana Gomes pede ainda que sejam investigados “o comportamento e a resposta das entidades supervisoras em Portugal”, como o Banco de Portugal (BdP) e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

No documento, a eurodeputada lembra que ainda não foi formalmente aberta nenhuma investigação pela justiça portuguesa. E que o BdP e a CMVM não tomaram qualquer posição em relação aos executivos de topo da Espírito Santo Financial Group (ESFG), GES e Banco Espírito Santo (BES). Pediu, ainda, que “pressionasse” os reguladores portugueses a “agir com independência” na aplicação das leis nacionais e europeias, protegendo os “depositantes, investidores e consumidores”.

A eurodeputada começa por explicar que a ESFG é uma empresa portuguesa com investimentos na Europa, África, Ásia e América e que foram detetadas irregularidades numa das suas holdings, a Espírito Santo Internacional (ESI) que passam por “omissão na contabilidade de passivos” e “sobrevalorização de activos”, o que levou uma auditoria externa a concluir que a ESI está numa situação financeira delicada.

Esta denúncia, revela, vem na sequência de uma entrevista do ex-contabilista da ESI, que revelou que Ricardo Salgado, presidente da comissão executiva do BES, tinha conhecimento desde 2008 de que parte do passivo da ESI não estava refletido nas contas.

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