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Coincidências. Elas existem? As autoridades francesas dizem que sim. Na passada semana, a polícia judiciária descobriu que 52,6 quilos de cocaína tinham desaparecido, em julho, da caixa-forte da sua sede, em Paris. Espanto. As suspeitas caíram num agente da brigada anti-droga e o governo deu início a um inquérito para descobrir o paradeiro da droga. Até agora, nada encontraram. Pelo menos de cocaína — numa operação de busca à residência de um dos suspeitos, a polícia encontrou 950 quilos de canábis.

E isto bem no centro da capital francesa. Vamos por partes. A 4 de julho, uma operação policial em Paris apreendeu 52,6 kg de cocaína no valor de cerca 3,6 milhões euros. A droga, na altura, foi dividida, empacotada e guardada na caixa-forte na 36 Quai des Orfèvres, sede da polícia judiciária, em Paris. A 8 de agosto, as autoridades descobriram que, na noite de 24 para 25 de julho, alguém entrara nas instalações e levara a droga.

Mas quem? Isso, por enquanto, ninguém sabe. Por obra das câmaras de vigilância, e confiando na “parecença física”, as autoridades constituíram Jonathan Guyot, agente, de 33 anos, da brigada anti-droga, como o principal suspeito. Foi detido, interrogado durante 96 horas e nada feito. Entretanto, Bernard Cazeneuve, ministro do Interior francês, deu ordens à abertura de um inquérito. A Inspeção-Geral da Polícia Nacional francesa, obedeceu.

A investigação arrancou. Uma das operações, contou o Journal du Diamanche, centrou as buscas na residência de um outro agente da brigada anti-droga, citado como testemunha no caso. Por isso, lá partiu uma equipa, munida com um cão pisteiro, em direção ao 13.º distrito (‘arrondissement’) da cidade de Paris. Chegados à residência do suspeito, o cão tudo fareja, mas nada indica. Ali, a cocaína não está. O canídeo, porém, interessa-se pela vizinhança — e logo pela porta ao lado. Ou melhor, pelo que estava estacionado à sua frente. Dentro de uma carrinha Renault Kangoo, as autoridades descobriram 350 quilos de canábis.

A polícia, tendo a matrícula, pesquisou pelo registo do veículo e, horas mais tarde, deslocou-se a um parque de estacionamento gerido pela empresa em nome da qual a carrinha estava registada. Resultado: encontraram uma segunda carrinha, da mesma marca e modelo, desta feita com cerca de 600 quilos de canábis no seu interior. Portanto, voltemos à questão do início. Foi um coincidência, ou existirá alguma ligação com o caso da cocaína desaparecida? “Por enquanto, não se pode ligar esta apreensão ao caso do 36 [des Orfèvres]”, sublinhou uma fonte policial ao Journal do Diamanche. A verdade é que, segundo a mesma publicação, é preciso recuar cinco anos para encontrar registos de uma apreensão de canábis com números semelhantes: em 2009, a polícia parisiense apreendeu cerca de 1300 quilos da substância.

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