Atentados de Paris

Gozar com Maomé, sim. E insultar negros e judeus?

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O ator Ali Abbasi questionou, no Facebook, se seria aceitável chamar 'Nigger' a um negro ou dizer que Hitler foi um Messias, a propósito das caricaturas de Maomé. Foi bloqueado e o seu post removido.

"Liberdade de expressão seletiva, não é uma liberdade, ou é?", questionou o ator paquistanês.

ANDY RAIN/EPA

O Facebook voltou atrás na decisão de remover a publicação do ator paquistanês, Hamza Ali Abbasi, que escreveu, na sua página oficial naquela rede social, que ridicularizar o Islão é o mesmo que chamar uma pessoa negra de ‘Nigger’ – uma palavra com uma grande conotação racista no Estados Unidos e nos países anglo-saxónicos – ou adorar Aldolf Hitler como se de um Messias se tratasse.

Um polícia muçulmano francês morre a cumprir o seu dever às mãos de dois jovens falsamente induzidos a matar em nome da ‘religião da paz’, o Islão. Sim, até o meu sangue ferve quando alguém insulta o Islão… Mas isso não dá a estes indivíduos o direito de matar”.

“Mas o Ocidente precisa de entender que a liberdade de expressão inclui a crítica, a discordância ou mesmo a rejeição da fé ou da ideologia… Mas não deve permitir o ‘insulto’. Seria considerado ‘liberdade de expressão’ catalogar alguém como ‘Nigger’ ou dizer que o Hitler foi um Messias?”.

O comentário de Hamza Ali Abbasi surgiu na sequência do ataque ao jornal satírico francês Charlie Hebdo e causou muita controvérsia. A equipa que supervisiona os conteúdos que são publicados no Facebook considerou que a publicação do ator paquistanês violava o regulamento da rede social e, além de remover o post em questão, bloqueou temporariamente a página de Abbasi.

Quando conseguiu recuperar o acesso à sua página, o ator publicou a mensagem que tinha recebido do Facebook a explicar que a sua conta tinha sido bloqueada e o comentário controverso na íntegra.

Pouco tempo depois, um utilizador do Facebook, Angelic Munni, fez chegar o seu desagrado com a decisão da rede social a Mark Zuckerberg e questionou-o sobre o que iria fazer em relação ao assunto. A resposta de um fundadores da rede social mais utilizada em todo o mundo foi pronta: “Não acho que isto [o comentário] devesse ter sido bloqueado. A nossa equipa pode ter cometido um erro. Justin [Osofsky], podes dar uma olhada?”, escreveu Zuckerberg, referindo-se ao vice-presidente de operações globais daquela rede social.

Justin Osofsky então pronunciou-se sobre o caso, repetindo o pedido de desculpas de Zuckerberg. “Como o Mark mencionou, nós cometemos um erro (…). Tentamos fazer o nosso melhor, mas às vezes cometemos erros. Pedimos desculpas e espero que o autor volte a publicar o post (…)”.

Apesar de se ter mostrado satisfeito com o ‘mea culpa’ do Facebook, Hamza Ali Abbasi questionou o modo como a rede social encara os comentários pró-Islão. “É engraçado que a liberdade de expressão” que o Facebook advoga seja “seletiva” e que tenham “eliminado este [post] em particular” entre todos os outros, comentou ao jornal Dawn, o mais antigo jornal paquistanês.

“A liberdade de expressão que não é universal, não é realmente liberdade, ou é?”, perguntou o ator paquistanês, que acrescentou, ainda, que “não é justo que, quando dizemos coisas que vão contra o Ocidente são consideradas racistas ou intolerantes. É permitido discordar, é permitido criticar, mas não devemos gozar com figuras exemplares/religiosas. (…) É importante abordar estas questões e transmitir a nossa mensagem da forma mais civilizada possível. Quando atinges um nível de insultos pejorativos, há uma possibilidade de existir alguma reação de uma comunidade com mais de dois milhões de pessoas”, escreveu o ator.

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