Cerca de 50 pessoas manifestaram-se esta terça-feira em Peshawar, no Paquistão, a favor dos irmãos Kouachi, responsáveis pelo ataque ao jornal satírico francês que provocou a morte de 12 pessoas, e ofereceram-se para fazer o funeral dos dois terroristas.

Segundo a edição paquistanesa da revista Newsweek, a marcha de apoio aos dois irmãos foi organizada pelo clérigo local Muhammad Chishti e teve também gritos de ordem e cartazes contra a publicação francesa.

“Estamos aqui para saudar os dois irmãos que morreram a defender a honra do Profeta do Islão”, disse Muhammad Chishti, citado pela Newsweek, acrescentado que os irmãos Kouachi “pagaram uma dívida do mundo muçulmano”.

O clérigo garantiu que cerca de 200 pessoas participaram nas cerimónias fúnebres que os manifestantes decidiram organizar, apesar de os corpos dos dois homens não estarem no Paquistão, mas em França.

Entre as palavras de ordem e os cartazes escritos em inglês, pode-se ler “Abaixo o Charlie Hebdo” ou “Era necessária uma mensagem forte. Eles entregaram-na”, num cartaz com uma fotografia dos irmãos Kouachi a disparar sobre um polícia no ataque ao jornal Charlie Hebdo, que aconteceu na semana passada.

No entanto, quando foi questionado se sabia o primeiro nome dos irmãos Kouachi ou a sua história, o clérigo hesitou momentaneamente: “Sabe os nomes deles não é importante. Eu só sei que eles mataram os homens responsáveis por blasfémias contra o nosso adorado profeta”, disse.

Ainda há um mês, uma escola militar precisamente em Peshawar foi alvo de um atentado terrorista, mas por parte dos talibã (que têm uma longa afiliação com o grupo terrorista al-Qaeda, que reivindicou os ataques em Paris), que provocou a morte a 132 crianças e nove funcionários.