O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou esta terça-feira que os dirigentes mundiais começam a perceber a ameaça representada pelo extremismo islâmico, na sequência dos atentados da semana passada em França.

“Penso que a maioria percebe – ou pelo menos começa a perceber – que o terrorismo exercido pelo islão extremista representa uma ameaça clara e real para a paz do mundo, no qual vivemos”, disse Netanyahu, em Jerusalém, durante as cerimónias fúnebres dos quatro judeus mortos na sexta-feira em Paris, num ataque contra um supermercado ‘kosher’ (judaico).

O presidente israelita, Reuven Rivlin, considerou inaceitável que os judeus tenham medo de andar nas ruas da Europa, com sinais da sua religião.

“Não podemos permitir que em 2015, 70 anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, os judeus tenham medo de andar na rua na Europa, com a ‘kippa’ (barrete judaico) e os ‘tzitzit’ (as franjas do culto judaico), disse, durante a cerimónia.

“Já não é possível ignorar ou manter o equívoco, ou agir com fraqueza” contra estes atos antissemitas, sublinhou.

Rivlin declarou que os quatro homens foram assassinados por serem judeus.

“Em momentos como estes, apresento-me diante de vós, de coração despedaçado, abalado e magoado, e comigo está toda uma nação”, afirmou.

Depois das cerimónias fúnebres oficiais, às quais assistiram milhares de pessoas, decorreu um funeral privado das quatro vítimas do sequestro no supermercado ‘kosher’, que foi seguido à distância por centenas de pessoas, a partir das colinas vizinhas.

Desde quarta-feira passada, registaram-se três incidentes violentos na capital francesa, que no total fizeram 20 mortos, incluindo os três autores dos atentados, e começaram com o ataque ao semanário satírico Charlie Hebdo.

Depois de dois dias em fuga, os dois suspeitos do ataque, os irmãos Said Kouachi e Cherif Kouachi, de 32 e 34 anos, foram mortos na sexta-feira, na sequência do ataque de forças de elite francesas a uma gráfica, em Dammartin-en-Goële, nos arredores da cidade, onde se tinham barricado.

Na quinta-feira, foi morta uma agente da polícia municipal, no sul de Paris, tendo a polícia estabelecido “uma ligação” entre os dois ‘jihadistas’ suspeitos do atentado ao Charlie Hebdo e o presumível assassino.

Na sexta-feira, ao fim da manhã, cinco pessoas foram mortas num supermercado ‘kosher’ (judaico), no leste de Paris, numa tomada de reféns, incluindo o autor do sequestro, que foi morto durante a operação policial.