A Grécia fez grandes avanços nos últimos anos a combater a corrupção a nível doméstico, mas o mesmo não se aplica aos subornos de empresas gregas a responsáveis públicos estrangeiros, diz a OCDE num relatório publicado esta sexta-feira. As autoridades não detetaram os principais casos e souberam destes na sua maioria pela comunicação social.

Num relatório de acompanhamento da implementação das regras da convenção anticorrupção, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) encontrou muitas falhas no controlo, investigação e punição do suborno por parte de empresários gregos a responsáveis estrangeiros.

A OCDE diz que a Grécia fez progressos no combate à corrupção dentro de fronteiras mas, no que diz respeito à corrupção de gregos para conseguir vantagens no estrangeiro, não está a fazer grandes progressos e a organização considera que a mensagem nesta altura é a pior: “Isto envia uma mensagem infeliz que lutar contra a corrupção doméstica é uma prioridade durante uma crise económica, mas o suborno de oficiais estrangeiros é um meio aceitável de ganhar negócios no estrangeiro e ajudar a economia grega”, diz o relatório.

Para chegar a esta conclusão, para além de avaliar as melhorias desde 2012, altura em que os técnicos tiveram na Grécia pela última vez, a OCDE fez uma lista de nove investigações já terminadas relacionadas com este tipo de corrupção.

A conclusão não é a melhor. Destas nove investigações já concluídas, nenhuma delas foi detetada pelas autoridades gregas. A grande maioria foi, aliás, denunciada primeiro pela comunicação social grega. Houve também casos descobertos pelo grupo de trabalho internacional para a corrupção e alertas de países estrangeiros (num caso em que duas empresas gregas subornaram o mesmo responsável).

Desde que os inspetores estiveram pela última vez na Grécia, foram abertas sete investigações a casos de subornos por gregos a responsáveis estrangeiros, um desenvolvimento que é elogiado pela OCDE. No entanto, também estas não foram detetadas pelas autoridades gregas mas pelo grupo de trabalho e houve casos que caíram sem a devida investigação.

A OCDE alerta, ainda, para casos que as autoridades gregas nem chegaram a abrir uma investigação apesar de os responsáveis que receberam os subornos terem sido julgados nos seus países e de as autoridades desses países terem alertado as autoridades gregas.

A organização liderada por Angel Gúrria diz que a Grécia tem de fazer deste tipo de corrupção uma prioridade e, nesse sentido, dar mais formação a todos os envolvidos no processo (dos investigadores aos juízes), alagar a abrangência do crime, aumentar as sanções financeiras e criminais e aumentar os prazos de prescrição dos crimes, entre outros.