A maioria dos cidadãos gregos não quer que o Governo submeta a referendo um eventual acordo entre a Grécia e os credores internacionais, Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e Comissão Europeia. De acordo com uma sondagem efetuada pela GPO para a Mega TV, 61,9% dos inquiridos pronunciaram-se conta aquela hipótese, admitida pelo primeiro-ministro, Alexis Tsipras, durante uma entrevista que foi para o ar na segunda-feira passada, 27 de abril.

Àquela questão, apenas 37% dos eleitores gregos abrangidos pela sondagem deram a sua concordância, ao considerarem que um acordo devia ser submetido ao voto. A sondagem revelou, também, que 72,2% se opõem à realização de eleições gerais no caso de as discussões entre Atenas e os credores chegaram a um beco sem saída, contra 26,3% que são favoráveis.

O atual Governo grego, liderado pela extrema-esquerda representada pelo Syriza, não sai bem desta sondagem, já que o apoio à estratégia nas negociações com FMI, BCE e Bruxelas baixa de forma substancial, apesar de ainda recolher apoio maioritário. Num estudo anterior, concretizado em fevereiro de 2015, 90,3% dos eleitores gregos mostraram-se concordantes com a atuação do Governo de Alexis Tsipras, mas as respostas positivas baixaram, agora, para 58,3%. Do lado dos críticos, registou-se um forte aumento: passaram de 7,4% na sondagem anterior para 39,8% no presente trabalho.

O estudo parece sugerir que os cidadãos gregos pretendem que o Governo altere a sua estratégia, já que 78,1% são favoráveis a que exista um consenso, enquanto somente 7,9% se mostram a favor de uma rutura entre Atenas e os credores internacionais. Ainda assim, se fossem realizadas eleições, o Syriza voltaria a sair vencedor ao recolher 36,5% das intenções de voto e deixando a Nova Democracia a larga distância, com 22% dos votos. O controverso ministro das Finanças recolhe, por uma margem curta, o apoio dos inquiridos. Metade tem opinião positiva sobre Yanis Varoufakis, enquanto 48,2% têm uma opinião negativa.

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Sobre o decurso das negociações, uma fonte oficial citada pela Bloomberg afirmou que as conversações entre Atenas e os credores “estão a correr bem” e que o Governo da Grécia pretende fazer progressos “significativos” até domingo que vem, 3 de maio, com o objetivo de preparar um acordo para a próxima semana. “A Grécia quer alcançar um compromisso honesto e o primeiro-ministro está preparado para assumir um papel de importância nas negociações, tomando iniciativas para ajudar em todo o processo”, afirmou a mesma fonte.

As mudanças operadas na equipa técnica da Grécia que está na mesa das negociações mostram a vontade do país de chegar a um acordo, acrescentou a fonte, ao mesmo tempo que revelou que uma lista de medidas propostas está pronta, mas não irá a votos no Parlamento grego a não ser que venha a fazer parte do acordo negociado.