Os serviços de informações estão a investigar agentes e chefes da Polícia de Segurança Pública (PSP) com ligações a movimentos de extrema-direita, como os skinheads ou o Partido Nacional Renovador (PNR). O caso está relacionado com os incidentes ocorridos no Bairro da Cova da Moura, na Amadora, a 5 de fevereiro deste ano.

Esta terça-feira, soube-se que o Ministério da Administração Interna instaurou processos disciplinares contra nove elementos da PSP, entre os quais o chefe da esquadra, na sequência de incidentes ocorridos no Bairro da Cova da Moura. Três já foram suspensos preventivamente. As conclusões conhecidas ontem por parte da Inspeção-Geral da Administração Interna não mencionam estas ligações, mas dão razão às queixas de uso de força.

A Procuradoria-Geral da República já abriu um inquérito para investigar as denúncias de discriminação racial e tortura contra jovens de ascendência africana, num bairro onde a comunidade imigrante é muito grande.

De acordo com o Diário de Notícias, há também suspeitas de falsos depoimentos por parte dos agentes da autoridade. Mais: as Secretas têm razões para crer que existem motivações raciais por detrás dos acontecimentos. Alguns dirigentes sindicais, bem como oficiais desta força de segurança, foram abordados pelos espiões com o objetivo de colaborarem com as secretas na investigação às ligações com a extrema-direita, fenómeno que os serviços de informações receiam estar a consolidar-se.

Fontes da PSP confirmaram ao DN que “alguns elementos” participam em iniciativas da extrema-direita, mas consideram que isso pertence ao foro privado dos agentes.

“Disseram que nós, africanos, temos de morrer” e “deviam alistar-se no Estado Islâmico” estão entre as denúncias de um dos jovens agredidos.