A organização Human Rights Watch (HRW) denunciou o “despejo forçado” de milhares de civis e a destruição de centenas de edifícios pelas autoridades egípcias para criar uma “zona segura” no norte da península do Sinai, fronteiriça com Gaza.

Num relatório publicado esta terça-feira, a organização de defesa de direitos humanos indica que, entre julho de 2013 e agosto de 2015, o exército egípcio demoliu 3.255 edifícios e desalojou milhares de residentes numa área de 79 quilómetros quadrados, incluindo a localidade de Rafah, com 78 mil habitantes. Também 685 hectares de cultivo foram destruídos, privando os agricultores do seu meio de subsistência.

No relatório, intitulado “À procura de outra pátria”, a HRW sublinha que muitas famílias do norte do Sinai ficaram sem casa e foram separadas, vivendo agora em tendas em espaços abertos ou acampamentos informais, ou viram-se obrigadas a deslocar-se para zonas longínquas, como o delta do Nilo ou o Cairo.

Tudo para “presumivelmente eliminar a ameaça dos túneis de contrabando” entre o território egípcio e Gaza, através dos quais são transportados todo o tipo de bens, incluindo armamento.

Para a HRW, a atuação do Governo egípcio é “desproporcionada”, tendo em conta a ameaça dos túneis. A organização norte-americana sublinhou que as autoridades egípcias não ofereceram provas de que, através destes túneis, os grupos radicais do Sinam recebam armas e outro tipo de apoio.

A HRW assegurou que os desalojamentos começaram em julho de 2013, após o golpe de Estado militar que derrubou o então Presidente Mohamed Morsi, e aceleraram em outubro de 2014, depois de um ataque contra as forças de segurança em que pelo menos 28 soldados morreram.

As forças armadas estão a “demolir arbitrariamente milhares de casas” e a “destruir bairros inteiros”, tendo começado antes de o Governo egípcio ter ordenado, por decreto, a criação de uma “zona segura” na fronteira, em novembro de 2014, segundo comprovou a HRW através de imagens de satélite.

A organização denuncia que o Egito não fez distinção entre edifícios civis e outros e empregou métodos pouco precisos para a demolição dos imóveis, como explosivos, maquinaria pesada e até o bombardeamento de um imóvel com um tanque.