Os Estados Unidos manifestaram “profunda preocupação” com o ataque a tiro contra o secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo, na quarta-feira no centro de Moçambique, e esperam que os responsáveis pelo “crime hediondo” sejam levados à justiça.

“A Embaixada dos Estados Unidos da América em Maputo manifesta a sua profunda preocupação e condena veementemente o ataque a tiro contra o senhor Manuel Bissopo, secretário-geral do maior partido da oposição em Moçambique, no passado dia 20 de janeiro, e deseja as suas rápidas melhoras”, declara um comunicado da representação norte-americana enviado à agência Lusa.

A embaixada, prossegue o comunicado, “aguarda que as autoridades moçambicanas conduzam uma investigação exaustiva e transparente e assegurem que os responsáveis por este crime hediondo compareçam perante a justiça”.

A representação diplomática dos Estados Unidos condena “os assassinatos e perseguições recentemente reportados a representantes de vários níveis de autoridades locais e políticas”, endereçando as suas condolências aos familiares das vítimas.

A União Europeia (UE) pediu igualmente na sexta-feira o apuramento da responsabilidade pela “tendência de violência” e está a acompanhar de perto a situação em Moçambique, disse à Lusa um porta-voz da UE.

“Este ataque confirma a tendência de violência que afeta a vida política moçambicana e os atores políticos”, afirmou o porta-voz da UE, acrescentando que Bruxelas “apela para uma investigação rápida e a clarificação de responsabilidades sobre o ataque a Manuel Bissopo e outros que aconteceram recentemente”.

O secretário-geral da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Manuel Bissopo, foi baleado por desconhecidos quando conduzia o seu carro na cidade da Beira, tendo o seu segurança morrido no local. Segundo António Muchanga, porta-voz da Renamo, Bissopo, entretanto transferido de uma clínica privada na Beira para a África do Sul, continuava hoje internado mas apresentava significativas melhoras.

Na sexta-feira, o comandante-geral da Polícia da República de Moçambique (PRM), Jorge Khálau, disse em conferência de imprensa que já foi criada uma comissão de inquérito para investigar o ataque contra o secretário-geral da Renamo, lamentando o incidente e condenando os seus autores.

O presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, responsabilizou por seu lado na sexta-feira a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) pelo ataque a tiro contra Bissopo, acusando o partido no poder de fomentar “terrorismo de Estado”.

A Frelimo lamentou na quinta-feira o incidente, no qual não vê motivações políticas, e insistiu na urgência do desarmamento da maior força política de oposição. Moçambique vive uma situação de incerteza política há vários meses e o líder da Renamo ameaça tomar o poder em seis províncias do norte e centro do país, onde o movimento reivindica vitória nas eleições gerais de 2014.

Afonso Dhlakama não é visto em público desde 09 de outubro, quando a sua residência na Beira foi invadida pela polícia, que desarmou e deteve, por algumas horas, a sua guarda, no terceiro incidente em menos de um mês envolvendo a comitiva do líder da oposição. Nas últimas semanas, Governo e Renamo têm-se acusado mutuamente de raptos e assassínios dos seus membros.

A Renamo pediu recentemente a mediação do Presidente sul-africano, Jacob Zuma, e da Igreja Católica para o diálogo com o Governo, que se encontra bloqueado há vários meses.

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, tem reiterado a sua disponibilidade para se avistar com o líder da Renamo, mas Afonso Dhlakama considera que não há mais nada a conversar depois de a Frelimo ter chumbado a revisão pontual da Constituição para acomodar as novas regiões administrativas reivindicadas pela oposição e que só retomará o diálogo após a tomada de poder no centro e norte do país.

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