“Claro que o Conselho de Finanças Públicas é uma instituição importante, mas, com o devido respeito, o que nos interessa é saber se a Comissão Europeia aceita ou não os números”. Foi assim que o Presidente da República comentou as duras críticas que estão a ser feitas às previsões, “demasiado otimistas”, do Governo para os próximos quatro anos. Ou seja, comentários todos fazem, mas “é preciso esperar pela reação de Bruxelas”, disse Marcelo, lembrando que para isso “só faltam umas semanas”.

Questionado pelos jornalistas à chegada ao centro da Cruz Vermelha de Évora, no âmbito do seu roteiro pelo Alentejo, Marcelo Rebelo de Sousa não “entrar na discussão dos números”, nomeadamente dos números relativos ao crescimento económico e ao défice, uma vez que só a opinião da Comissão Europeia sobre o cenário macroeconómico do Governo é que interessa.

“O défice ora é muito baixo, ora é alto, o crescimento ora é baixo, ora é alto, vamos é esperar para ver se a Comissão Europeia aceita ou não o Programa de Estabilidade”, disse. Porque “verdadeiramente importante e decisiva é reação de Bruxelas”.

Esta manhã, no final da reunião entre o primeiro-ministro e o presidente, em Évora, Costa tinha também desvalorizado as críticas do Conselho de Finanças Públicas, dizendo que entre as opiniões das entidades independentes ou dos partidos da oposição ouve de tudo um pouco.

O Conselho de Finanças Públicas tinha dito esta quinta-feira que as previsões do Governo no Programa de Estabilidade eram demasiado otimistas e continham riscos que podiam levar à derrapagem nas metas do défice, defendendo ainda que a instabilidade na banca era um risco para a economia ao qual o Governo não podia fechar os olhos.

Sobre o facto de o CDS se preparar para apresentar um projeto de resolução sobre o Programa de Estabilidade, obrigando-o a ir a votos na próxima quarta-feira, no Parlamento, o Presidente da República não se mostrou minimamente preocupado. “A democracia é isso mesmo”, disse, considerando que, mesmo que todos os outros partidos tenham optado por não levar o documento a votos, o CDS é autónomo. “Porque é que há de concordar com o PS ou com o PSD?”, perguntou, reconhecendo de seguida que por estar “isolado” nessa iniciativa pode é não ter “vencimento” na hora da votação.

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