O Estado norte-americano do Arkansas sentenciou a pena de morte a oito reclusos, no próximo mês de abril, que serão executados num curto espaço de 11 dias. Os homens, acusados de vários crimes, já se encontravam no corredor da morte há mais de 20 anos, conta o The Guardian, mas a ordem abriu uma polémica.

A decisão, tomada pelo Governador, Asa Hutchins, tem causado polémica, não só pelo número de execuções em tempo recorde, mas também pelos danos psicológicos que poderá causar nas equipas responsáveis pelas execuções. Hutchins, perante as ondas de choque causadas pela situação, abordou o caso. Através de um porta-voz, apresentou uma justificação: “É mais eficiente, menos stressante e leva a que menos erros sejam cometidos pela equipa”.

No entanto, um antigo funcionário prisional, que na década de 90 deu várias ordens de execução em penas de morte, defende exatamente o contrário. Allen Ault contou que o facto de ter executado a morte de vários reclusos lhe provocou traumas com que ainda hoje tem de conviver. Mesmo passados 20 anos, nos seus pensamentos ainda estão as imagens dos homens a quem ordenou a morte. Foi de tal forma marcante que Allen se mudou para outro cargo na justiça que em nada está ligado à pena de morte.

O antigo funcionário prisional contou a sua traumatizante experiência profissional para alertar para o mesmo cenário que outros homens e mulheres encaram atualmente. Como é o caso das pessoas que vão estar a cargo das execuções no estado norte-americano do Arkansas. A sua preocupação não são, de todo, os homens que serão executados com a pena capital, mas sim os danos psicológicos que os funcionários que vão assistir ao processo podem sofrer num futuro próximo.

Asa Hutchinson está no centro de toda a polémica pela decisão que tomou sobre as execuções no Estado que governa, o Arkansas.

O antigo funcionário prisional defende que “é desnecessariamente exacerbada a tensão e o stresse colocados sobre os funcionários”, conta. Allen prosseguiu, dizendo que este cenário o preocupa muito, especialmente porque já passou por isso.

Para alguém que já passou por isto, eu não consigo dizer o quão profundamente preocupado estou com a saúde mental deles.”

Allen questionou depois, não só o Governador, mas também toda a classe política e deixou um ‘convite’: “Se o Governador está tão empenhado neste caso, ele deveria ir para a câmara da morte e fazê-lo sozinho. Mas ele não vai, eles nunca o fazem. O políticos nunca lá estão quando isto acontece, nunca sofrem com nada“.