Harvey Weinstein foi o estreante. O fundador da Miramax e todo poderoso produtor foi o primeiro nome da onda de acusações de assédio sexual que atingiu Hollywood e se espalhou para o resto do mundo. Atores, realizadores, apresentadores, argumentistas, políticos: há um pouco de tudo na interminável lista de acusados.

Com o impacto económico que um caso de assédio sexual implica em mente, as empresas norte-americanas estão a optar por organizar os típicos jantares de Natal sem bebidas alcoólicas. O Washington Post conta que um inquérito conduzido pela Challenger, Gray & Christmas – que todos os anos estuda os hábitos de jantares festivos das empresas – concluiu que apenas 49% das firmas planeia servir álcool nos jantares. Há um ano, 62% das empresas inquiridas afirmavam que haveria bebidas alcoólicas nos eventos destinado a assinalar o Natal.

O vice-presidente da firma que conduziu o estudo, Andrew Challenger, avança até que 11% das empresas nem sequer vai organizar um jantar – quando, no ano passado, apenas 4% optava por esse caminho. Challenger, que supervisiona o inquérito há dez anos, confessou que foi apanhado de surpresa pelos resultados. “Quando o desemprego é baixo, quando a economia está num bom ritmo, como está agora, as empresas estão mais dispostas a ter jantares de Natal, gastar mais neles e oferecer mais álcool”, explicou ao Washington Post. E não tem dúvidas: a mudança de ideias tem a ver com o “efeito Weinstein”.

O jornal norte-americano conta que muitas empresas estão a recorrer a Tracy Billows, uma advogada especializada em casos de assédio sexual, para saber o que fazer em relação aos jantares natalícios. Billows explica que estes eventos são sempre problemáticos porque “as pessoas têm tendência a sentir-se mais confortáveis longe do local de trabalho”. “As linhas estão enevoadas e as pessoas começam a pensar ‘estou num evento social, as regras não se aplicam'”.

Contudo, um outro advogado especialista em assédio sexual, lembra que este problema não apareceu em 2017. Ross J. Peters recorda que todos os casos têm já muitos anos e os escândalos só agora “tomaram o seu lugar no discurso social”.