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Montepio. Em vez de 200 milhões por 10%, 160 milhões por 6%?

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"Expresso" diz que o processo está atrasado, à espera dos resultados anuais do Montepio, e adianta que passou a estar em cima da mesa a compra pela Santa Casa de 6% do Montepio, por 160 milhões.

MIGUEL A.LOPES/LUSA

O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, Edmundo Martinho, desvalorizou no Parlamento os números que têm aparecido na imprensa — 200 milhões de euros em troca de 10% da Caixa Económica Montepio Geral –, sublinhando que este é um processo em curso. A valorização que seria feita caso o negócio fosse feito nesses termos indicaria que o banco valia dois mil milhões de euros, um valor que vários especialistas consideram elevado, em comparação com o valor de outros bancos do setor. Contudo, segundo o Expresso, em cima da mesa está um negócio que teria implícita uma valorização ainda maior: 160 milhões de euros por 6% do Montepio Geral.

Na mesma audição na Assembleia da República, Edmundo Martinho disse que até final de janeiro deveria haver uma decisão sobre esta matéria que, repetiu vezes sem conta, está apenas em estudo e nada é definitivo. Mas o processo estará atrasado porque o banco de investimento que está a fazer a análise ao valor do Montepio, o Haitong (ex-BESI, quer conhecer as contas do exercício de 2017 e estas podem só ser concluídas em março.

“Se assumirmos um book value de um euro e um valor total de dois mil milhões [um valor extraído das operações recentes com a compra das unidades de participação do Montepio], é daí que vêm os 200 milhões, mas o único valor que está definido é o limite dos 10%”, sublinha Edmundo Martinho, garantindo que haverá sempre uma “negociação” por esses 10% e que “é por isso que é importante a análise financeira, independente, que está a ser feita”.

Sem especificar onde obteve a informação, o Expresso indica que nesse novo cenário, 160 milhões por 6%, o valor seria pago em prestações pela Santa Casa.

No final da audição parlamentar, Edmundo Martinho explicou um pouco melhor, à margem, a alguns jornalistas, os valores em causa. Há “dois 10%” em causa. Um é o parecer que diz que não se deve usar mais de 10% dos ativos da Santa Casa num investimento [a possibilidade de usar mais “está sempre presente”, disse Edmundo Martinho];
O outro é os 10% do capital do Montepio, o que vem da análise feita em 2016 sobre a possibilidade de investir no Novo Banco e que Edmundo Martinho diz que, no caso do Montepio, “seguramente” também não será mais.

Sobre os 200 milhões: “o banco está valorizado nas contas da associação mutualista em cerca de 1,8 mil milhões, nesta altura, portanto 10% seriam 180 milhões. É daí que vem esse número. Na altura em que se fez esse cálculo o limite dos 200 milhões tinha que ver com a valorização. Se o banco valesse 2.000 milhões os 10% valeriam 200 milhões. Esse seria o limite”.

O provedor da Santa Casa explicou que, neste momento, não há referenciais de mercado, não há cotação na bolsa — o último valor que temos é o valor que a associação mutualista comprou, um euro [por ação, respeitando o valor que está no balanço da associação]. Ora, “a Santa Casa nunca comprará a um euro [por ação], porque há sempre um desconto. A dimensão desse desconto é que variará em função da avaliação e das negociações que viermos a ter com a associação”.

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