A frase polémica de Fernando Rosas já tem uma semana, foi dita no programa da TVI24 “Prova dos Nove”, mas só agora mereceu resposta do visado Adolfo Mesquita Nunes. No programa emitido a 15 de março, o fundador do Bloco de Esquerda, comentava a ambição eleitoral da líder do CDS quando disse que esse partido “pode ter esta coisa da modernidade, é muito moderno, até tem um dirigente que diz que é gay, ai que moderno que ele é”. A referência irónica à homossexualidade assumida por Adolfo Mesquita Nunes, vice do CDS, mereceu resposta do próprio no twitter e também com ironia: “Os meus suspensórios são muito mais giros, essa é que é essa”.

A tirada aproveita o facto de os dois políticos serem adeptos do uso de suspensórios e desvaloriza, desta forma, a frase de Rosas que tem corrido nas redes sociais. No comentário na TVI24, o historiador e fundador do BE tentava desmontar os argumentos de Assunção Cristas para se assumir como candidata a primeiro-ministra, referindo que apesar do discurso novo “este é o mesmo velho CDS de sempre”.

Mais adiante, no programa moderado pela jornalista Constança Cunha e Sá, Rosas quis intervir de novo para acrescentar mais uma ideia:”Há outra coisa que o CDS se está a esquecer que é o eleitorado associar o CDS às piores medidas que o governo direita tomou. Várias das maiores agressões cometidas contra o mundo do trabalhao e os reformados vêm de ministros do CDS”, disse.

A frase polémica surgiu depois desta ideia: “O CDS pode ter esta coisa da modernidade, muito moderno, até tem um dirigente que diz que é gay, ai que moderno que ele é”. E isto para a seguir dizer que “eles podem comer no PSD, ratar no PSD, até podem subir, mas o resultado que vai ter é enfraquecer o bloco da direita”. Recorde-se que Adolfo Mesquita Nunes assumiu recentemente, numa entrevista publicada nos semanário Expresso, a sua homossexualidade, sendo o primeiro dirigente partidário a fazê-lo em Portugal.

O Observador procurou algumas reações junto de bloquistas e dirigentes da esquerda política, mas poucos quiseram comentar a declaração polémica do fundador do Bloco de Esquerda. Sandra Cunha, a deputada bloquista que coordena os trabalhos na subcomissão parlamentar para a Igualdade e Não Discriminação, afirma ao Observador que “opiniões pessoais” todos podem ter, mas sai em defesa de Fernando Rosas justificando o comentário com a “incoerência” do CDS.

“De certeza que não foi um ataque ao cidadão Adolfo Mesquita Nunes, mas sim um ataque à incoerência entre o cidadão e as posições políticas assumidas pelo seu partido”, disse a deputada bloquista, referindo-se às posições anti-casamento homossexual ou aos votos contra do CDS em todas as matérias relacionadas com a adopção de crianças por casais do mesmo sexo. Segundo Sandra Cunha, várias figuras do Bloco de Esquerda manifestaram-se publicamente quando o dirigente do CDS assumiu a sua homossexualidade numa entrevista, “no sentido de o congratular por dar visibilidade a um conjunto de pessoas mais escondidas”. Mas “gostaríamos que o partido dele fosse mais consequente com isso”, acrescenta.

Questionados pelo Observador, deputados socialistas como Isabel Moreira ou João Galamba não quiseram comentar o assunto. Também o dirigente bloquista José Manuel Pureza disse desconhecer a polémica e, por isso, absteve-se de fazer comentários, admitindo, no entanto, que a resposta irónica de Adolfo Mesquita Nunes tenha sido “divertida”.

*artigo atualizado com declarações da deputada do Bloco de Esquerda responsável pela subcomissão para a Igualdade e Não Discriminação