O prédio de Ricardo Robles, vereador bloquista na Câmara Municipal de Lisboa, e que desde sexta-feira tem estado envolvido em polémica, continua a ter um anúncio de venda ativo no site da imobiliária Portugal-imo.com.

O Observador contactou o responsável pela gestão do site e este, que preferiu não se identificar, afirmou que o Portugal-imo.com “tem como target encontrar compradores estrangeiros”. No entanto, ressalvou que o site apenas publica anúncios que lhe são enviados pelos seus parceiros. No caso do prédio de Robles, o imóvel chegou-lhe através de uma agência imobiliária da Quarteira, a Lux Avenue, não sabendo se os proprietários têm, ou não, conhecimento de que o anúncio continua online.

Já no site da Lux Avenue não há qualquer anúncio ativo do imóvel de Robles e da sua irmã. O Observador tentou por diversas vezes o contacto telefónico com os responsáveis do site, mas tal não foi possível.

O responsável do Portugal-imo.com, que mora na Bélgica, afirmou ainda não ter recebido quaisquer contactos de interessados na compra do prédio, tendo ficado surpreendido quando foi informado da polémica em que o edifício está envolvido desde sexta-feira. “Apenas publico anúncios de parceiros”, afirmou ainda, dizendo nunca ter tido qualquer contacto com a família Robles.

No anúncio, para além da descrição do imóvel há uma fotogaleria que mostra o interior do prédio remodelado. A descrição diz que o edifício está “localizado em frente ao terminal de cruzeiros de Lisboa, ao lado do Museu do Fado e do encantador Largo do Chafariz de Dentro”. O anúncio acrescenta tratar-se da “junção de dois edifícios com entradas separadas”, “recentemente renovado e os apartamentos estão prontos para aluguer de curto prazo [alojamento local]; todos têm cozinha totalmente equipada, vidros duplos, ar condicionado e parquet.”

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A polémica do prédio do autarca lisboeta estalou esta sexta-feira, depois de o Jornal Económico noticiar que o bloquista, acérrimo opositor da especulação imobiliária, tinha, em 2014, comprado com a irmã, um prédio em leilão à segurança social por 347 mil euros para, depois de remodelações, o ter colocado à venda por 5,7 milhões através de uma agência imobiliária.

Esta sábado foi divulgado pelo Público que o prédio do vereador do Bloco de Esquerda em Alfama esteve anunciado para alojamento local. Os 11 apartamentos foram anunciados como “prontos para serem utilizados em short term rental [contratos de curta duração]”, ou seja, como uma boa oportunidade de investimento, uma “oportunidade única em área turística no coração de Lisboa”.

Entretanto, o Bloco de Esquerda já reagiu ao sucedido. “A notícia foi mal contada.” Foi assim que Catarina Martins reagiu na manhã de sábado às notícias do caso Robles. Pelo caminho acusou o PSD de hipocrisia e deu a entender que não foi por acaso que as notícias da venda do prédio de Ricardo Robles viram agora a luz do dia, quando o Bloco tem iniciativas legislativas que vão pôr em causa muitos interesses imobiliários.

A coordenadora nacional do Bloco de Esquerda defendeu que o pedido de demissão feito pelo PSD Lisboa ao vereador bloquista Ricardo Robles era incoerente.

O prédio foi, entretanto, vandalizado. Este sábado à tarde foram pintados vários grafiti no exterior como os que costumam ser vistos em prédios abandonados da capital. Para além do logótipo do Bloco de Esquerda, lê-se a frase “aqui podia morar gente”.