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Estados Unidos da América

Caso Skripal. Estados Unidos vão impôr novas sanções à Rússia

Os Estados Unidos anunciaram restrições à exportação de tecnologia sensorial para a Rússia. As novas sanções surgem em resposta ao ataque químico aos Skripal, no Reino Unido.

Donald Trump pode ser obrigado a beliscar as relações diplomáticas com a Rússia

Oliver Contreras / POOL/EPA

Os Estados Unidos anunciaram que vão impôr novas sanções à Rússia como resposta ao ataque ao ex-espião russo Sergei Skripal e à filha, em março, no Reino Unido. O Departamento de Estado norte-americano vai aplicar restrições à exportação de tecnologia sensorial a partir de 22 de agosto que poderão ser alargadas caso a Rússia não tenha uma ação “corretiva” num prazo de 90 dias.

O expectável é que Moscovo não tenha a resposta exigida pelos Estados Unidos: que envolve a permissão de inspeções internacionais às instalações científicas e de segurança russas para averiguar se estão a ser produzidas armas químicas e biológicas sob violação das leis internacionais.

As novas sanções fazem parte do Chemichal and Biological Weapons Control and Warfare Elimination Act e envolvem o fim da exportação de uma longa lista de equipamento sensorial aplicado à segurança nacional, como turbinas a gás, circuitos integrados e equipamento de calibração utilizado na aviação. Atualmente, estas exportações são consideradas caso a caso mas a partir de 22 de agosto a posição a tomar será a de “presunção da negação”, o que significa que a decisão por defeito será a de proibir. De acordo com o The Guardian, metade das exportações dos Estados Unidos para a Rússia inclui tecnologia sensorial.

Caso o Governo de Vladimir Putin não tome a tal medida “corretiva” num prazo de 90 dias, o expectável é que administração norte-americana aplique um novo pacote de sanções – que pode afetar as relações diplomáticas, o comércio geral com a Rússia, empréstimos bancários e os direitos de aterragem da Aeroflot, a companhia aérea estatal russa, nos Estados Unidos. “É certo que a decisão pertence à Rússia, decidir se querem cumprir os critérios. A segunda ronda de sanções é geralmente mais draconiana do que a primeira”, afirmou um membro da administração Trump ao The Guardian.

Os Estados Unidos já deportaram 60 alegados espiões russos numa medida que integrou a resposta global ao ataque de março deste ano, na cidade britânica de Salisbury, quando Sergei Skripal e filha foram envenenados com o agente nervoso novichok. Depois disso, outros dois cidadãos britânicos voltaram a ser atacados com o mesmo agente químico no final de junho: Dawn Sturgess acabou por morrer, o companheiro permanece hospitalizado.

O Kremlin nega insistentemente as acusações mas o The Guardian revelou esta semana que a investigação das autoridades do Reino Unido alcançaram grandes progressos nas últimas semanas. De acordo com o jornal inglês, o Governo de Theresa May vai entregar um pedido de extradição de dois cidadãos russos suspeitos de terem envenenado os Skripal.

As sanções agora anunciadas pelos Estados Unidos vão provocar um revés na economia russa, já que as medidas vão afetar principalmente as empresas detidas pelo Estado ou fundadas pelo Estado. A expectativa do executivo norte-americano é que as sanções tenham um impacto de “centenas de milhares de dólares” na economia russa.

Caso Vladimir Putin decida não tomar uma ação “corretiva” nos próximos 90 dias, o segundo pacote de sanções será um teste à mais recente política adotada por Donald Trump em relação à Rússia. De recordar que em julho, quando o presidente norte-americano se encontrou com o homólogo russo em Helsínquia, Trump deu o benefício da dúvida à administração russa em relação à sua responsabilidade no envenenamento dos Skripal. Já o Reino Unido apressou-se a reagir com entusiasmo às novas sanções anunciadas pelos Estados Unidos, afirmando que “a forte resposta internacional ao uso de armas químicas nas ruas de Salisbury envia uma mensagem inequívoca à Rússia de que este comportamento provocador e imprudente não passará sem contestação”.

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